Santa Catarina: carnaval em chamas?

Matéria publicada em, 5 de fevereiro de 2013

ônibus queimado em SC
Por Milton Corrêa da Costa

Há pouco mais de setenta e duas horas da abertura oficial do carnaval, Santa Catarina está sob a real, preocupante e desafiadora ameaça do terrorismo urbano. A última foi há três meses. Já chega agora a 53 o número de atentados com ônibus incendiados, ataques a tiros a prédios públicos, a bases da polícia e a casas de agentes da lei. Os ataques narcoterroristas, segundo as autoridades catarinenses – vejam o tamanho da ousadia – têm por causa o endurecimento das ações com corte de regalias dentro dos presídios do estado. Note-se que, no Rio de Janeiro, 27 presos fugiram do Complexo de Gericinó no último final de semana por uma tubulação de esgoto, como se ratos fossem. Não há notícia de que nenhum deles, durante o período carnavalesco, pense em isolar-se em algum retiro espiritual. O mais provável, na busca do lucro através do crime, é que prossigam ameaçando a vida do próximo. Mais trabalho para a polícia na recaptura dos perigosos fugitivos.

Vida que segue e as perguntas são: Cadê o projeto de lei que iria tipificar o crime de terrorismo no Brasil? Vai permanecer encruado no Congresso Nacional aguardando a pauta? Até quando a guerrilha urbana em Santa Catarina prosseguirá? Antes, durante e depois do carnaval? Até quando perigosos marginais da lei prosseguirão afrontando e desafiando o poder público? Até onde o carnaval dos catarinenses e de turistas que para lá se deslocam está sob ameaça? Até quando os “tribunais de execução”, em vias públicas, continuarão implantando o medo a e ameaça do terror?

As indagações prosseguem. Até quando as autoridades catarinenses abrirão mão do disposto na Lei Complementar 97/99, com a emenda da Lei 117/04, que trata do emprego das Forças Armadas para por termo a grave comprometimento da ordem pública? Quando autoridades de Santa Catarina se declararão insuficientes – no limite da capacidade operativa do aparelho policial – para controlar o incontrolável? Quando o governo federal cumprirá sua missão constitucional para por termo ao grave comprometimento da ordem naquele estado (missão constitucional), antes que cidadãos ordeiros e o próprio carnaval fiquem sob ameaça?

São perguntas que as autoridades terão que responder urgentemente antes que a folia de momo se desenvolva pelo toque forçado de recolher. O emprego das Forças Armadas e da Força Nacional de Segurança parecem-me inevitáveis, o quanto antes.

Milton Corrêa da Costa é tenente coronel da reserva da Polícia Militar do Estado do Rio de Janeiro e estudioso e pesquisador em violência urbana.

Força nacional de segurança


Revista Opinião