Ricardo Gomes sofre AVC durante clássico carioca e passa por cirurgia. Estado é gravíssimo

Matéria publicada em, 28 de agosto de 2011

O técnico Ricardo Gomes, de 46 anos, está sendo submetido a uma cirurgia para drenagem de um coágulo formado no lado direito do cerébro após um acidente vascular cerebral (AVC) com hemorragia na noite deste domingo, durante a partida entre Vasco e Flamengo. A operação, que é realizada pelo médico José Antônio Guasti, deve durar cerca de três horas e tem o objetivo de controlar a hipertensão craniana para não danificar o tecido cerebral, o que poderia causar sequelas motoras.

Ricardo Gomes
Segundo a assessoria do hospital em que o treinador é operado, o caso é gravíssmo. Clóvis Munhoz, médico do Vasco, admite que há risco de morte. Ele aposta na recuperação de Ricardo, mas frisa que só terá um panorama completo sobre o caso aproximadamente 72 horas depois da cirurgia.

– Creio que ele vai suportar bem. É uma pessoa forte. Só o fato de ter me reconhecido enquanto pôde e ter tido condições de falar sobre o que estava sentido é muito positivo – afirmou o médico.

Clóvis explicou que a hemorragia provocou um grande coágulo na região temporal do cérebro. A cirurgia está sendo feita para retirada deste sangue coagulado, reduzindo a pressão cerebral. No momento em que aconteceu a hemorragia, a pressão arterial do treinador era de 19 por 12. O normal é 12 por 8.

Clóvis Munhoz afirmou que o que aconteceu com Gomes neste domingo não é uma consequência do primeiro AVC sofrido pelo técnico em fevereiro de 2010, quando treinava o São Paulo.

– Ele estava confuso, nervoso, agitado. Achou que poderia ser igual ao que houve no ano passado. Mas não tem nada a ver – garantiu.

Já o vereador Marco Aurélio Cunha, médico e dirigente do São Paulo na época do primeiro AVC de Ricardo Gomes, diz que os casos podem ter relação.

– Naquele primeiro episódio, é como dizer que ele teve um pequeno vazamento e agora um rompimento. Aqui no São Paulo foi uma coisa bem mais simples. Saímos do jogo, existia o sintoma e fomos para o hospital. Fez os exames, passou a noite internado, fiquei com ele o tempo inteiro na companhia do Sanchez (José Sanchez, médico do São Paulo). O Ricardo não chegou a perder a consciência. Um caso pode não ser decorrência do outro, são episódios diferentes, mas não podemos deixar de juntar um ao outro. Ele ficou bem daquele primeiro, mas sempre fica uma marquinha e passa a ter um risco maior do que tinha antes. Aquele foi simples, esse é grave. Estou bastante chateado pois ele é um cara fantástico, um cara único.

Depois de um atendimento preliminar no centro médico do Engenhão, Ricardo Gomes foi para um hospital na zona norte do Rio de Janeiro. Ficou sedado na UTI, respirando com a ajuda de aparelhos.

O presidente do Vasco, Roberto Dinamite, está no hospital acompanhado dos filhos, assim como Felipe, o diretor executivo Rodrigo Caetano e familiares e amigos do treinador.

– A gente espera que ele se recupere e volte logo – disse Felipe na saída do hospital.

 

Atualizada em 30.08.2011 às 14:56min

Médicos descartam nova cirurgia

A manhã desta terça-feira foi de boas notícias. A dupla de médicos que acompanha Ricardo Gomes, o clínico Fábio Guimarães de Miranda e o neurocirurgião e responsável pela cirurgia emergencial José Antônio Guasti, explicou o quadro do treinador do Vasco em entrevista coletiva ao lado de Ricardo Periardi, diretor geral do Hospital Pasteur, na Zona Norte do Rio de Janeiro. Foram descartadas as possibilidades de uma nova cirurgia e de uma doença mais grave, como má formação ou aneurisma (uma dilatação exagerada das paredes da artéria, o vaso sanguíneo que leva sangue rico em oxigênio às extremidades do corpo).

– A angiotomografia cerebral, exame moderno que mostra a circulação cerebral, afastou a possibilidade de má formação que possa ter contribuído para a hemorragia. Isso é muito bom em termos de recuperação. Neste momento podemos afastar a hipótese de realizar uma nova cirurgia, algo que ainda nos preocupava – disse José Antônio Guasti, responsável pela operação na noite de domingo do comandante vascaíno, que sofreu um AVC (acidente vascular cerebral) durante o clássico Flamengo x Vasco.

Segundo o clínico responsável pelo acompanhamento diário do treinador, Fábio Guimarães de Miranda, a evolução é satisfatória. Ele informou que Ricardo Gomes passou muito bem pelo período no qual costumam ocorrer as complicações. No entanto, disse que o estado de Gomes ainda é grave, com risco de morte.

– Ele foi operado há 48 horas, e a evolução é satisfatória. Passamos pela metade do período inicial de 72 horas (de observação), e não há qualquer tipo de alteração. É justamente neste período em  que costumam ocorrer complicações importantes. A monitorização feita no CTI, assim como todas as tomografias realizadas até o momento, não mostra nada de anormal. Os sinais são de boa evolução clínica. O estado ainda é grave, mas hoje foi um dia muito bom – explicou.

Assim como nos dias anteriores, o trio de médicos voltou a dizer que é cedo para avaliar possíveis sequelas decorrentes do AVC. Fábio afirmou que a equipe vai avaliar na quarta-feira se começa a suspender os sedativos. Só a partir daí uma previsão mais precisa poderá ser feita. A única certeza é de que ainda não há previsão de alta do CTI ou do hospital.

– Este prazo de 72 horas não é algo matemático. Pode ser para mais ou para menos. Na quarta-feira vamos fazer novas avaliações e começar a discutir as possibilidades. Não temos como avaliar qualquer grau de sequela antes disso. Sobre alta, ainda é cedo para falar. O Ricardo está sendo monitorado por uma série de aparelhos que só podem ser manuseados no CTI. Não podemos dar previsão de alta – disse.

O diretor-geral Ricardo Periardi complementou a informação.

– É natural a ansiedade por parte de todos, mas o Ricardo tem de passar por etapas difíceis. Cada dia que se passa sem maiores complicações é uma vitória. E os indícios até o momento são positivos – explicou.

Ricardo Gomes passou a noite desta terça-feira sem sofrer qualquer tipo de alteração. Ele permanece em coma induzido e respira com o auxílio de aparelhos desde que terminou a cirurgia emergencial realizada para diminuir o hematoma no cérebro e restabelecer a circulação sanguínea.

Fonte: g1


Revista Opinião