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Promotor Eliardo: morte de Fernanda envolve figurão; governador convoca reunião às pressas; Promotor afirma que é independente e não faz jogo de cena

Matéria publicada em, 5 de outubro de 2011

Em entrevista ao portal 180graus no inicio da tarde desta quarta feira, 05 de outubro, o promotor Eliardo Cabral, que acompanha as investigações da morte da estudante Fernanda Lages, afirmou que a morte da estudante envolve figurão da sociedade piauiense. Segundo especulações, talvez seria uma autoridade pública. Além disso, o caso diz respeito ainda a uma festa do tipo “bacanal”, com orgia, envolvendo homens e mulheres numa festa em sítio ou chácara na Zona Rural de Teresina.

Eliardo Cabral é um dos promotores mais enérgicos ao falar do Caso Fernanda Lages, segundo ele suas investigações, que acontecem paralelamente aos trabalhos da CICO (Comissão Investigadora do Crime Organizado), apontam para uma pessoa influente do Piauí. Esta pessoa, afirma o promotor, seria viciada em orgias, e que é “o núcleo da causa deste crime”. Ele disse ainda que esta pessoa ocupa um cargo importante, o que poderá obrigar-lhe a pedir que a investigação sobre a morte de Fernanda Lages seja repassada para a Polícia Federal. Ele diz: “cuja pessoa, pelas funções que exerce, tornaria a Polícia Civil do Piauí naturalmente impedida de prosseguir o seu trabalho investigatório neste rumoroso caso”.

Governo convoca reunião

O governador Wilson Martins convocou na tarde desta quarta-feira (05/10), reunião no Palácio de Karnak, para tratar sobre o caso Fernanda Lages. A reunião iniciou às 17h e foi marcada misteriosamente após entrevista do promotor Eliardo Cabral para o 180graus.

Foto: 180 graus

Foram convocados para a reunião o secretário estadual de Segurança, Raimundo Leite, o delegado Paulo Nogueira, que preside o inquérito, os promotores Eliardo Cabral e Ubiraci Rocha, do Ministério Público do Piauí, além da procuradora Zélia Saraiva, o advogado da família da vítima, Lucas Villa, e representantes da Polícia Federal e seccional Piauí da Ordem dos Advogados do Brasil – OAB/PI e parentes da jovem de 19 anos, encontrada morta no dia 25 de agosto nas obras da futura sede do Ministério Público Federal.

O governador quer ficar informado de tudo que já foi levantado até o momento e verificar se há descontentamento por parte da polícia, Ministério Público ou família da vítima nas investigações. Antes do inicio da reunião, o advogado Lucas Villa disse ao 180graus que apenas foi convocado sem saber ao certo os motivos da reunião. “Vou saber o porque disso agora”.

Um fato curioso no inicio da reunião foi quando todos começaram a sentar nos seus lugares e o advogado da família Lucas Villa juntamente com o presidente da OAB-PI, Sigifroi Moreno se sentaram juntos e distantes do governador, imediatamente Wilsão chamou os dois para mais perto da cabeceira da mesa: “Venham para cá, tem lugar mais próximo de mim”, mas ambos se mostraram contentes com o lugar escolhido e lá permaneceram, deixando o governador meio que sem graça.

O 180graus entrou em contato por telefone com o promotor Eliardo Cabral para saber o motivo de sua ausência na reunião convocada pelo governador Wilson Martins para tratar sobre o caso Fernanda Lages. O promotor então explicou: “Neste momento eu não ia acrescentar em nada na reunião, eu não vou aí, fazer o que já tem gente para fazer que é servir cafezinho, água e tirar o pó do chão, já tem muita gente aí para isso”. E mandou um recado para o governador: “Seu excelentíssimo governador não tem competência para me convocar e nem se o fizer eu iria, não estou para fazer cena, não sou político e não tenho vínculo com ninguém e eu não vou me calar, pra me calar só Deus”, finalizou o promotor.

Ao fim da reunião, Wilson Martins alegou que a reunião foi apenas para transmitir à família a tranquilidade de que as investigações estão correndo normalmente e que confia no trabalho da polícia civil do estado. Negou que estivesse tentando politizar o caso, e disse que só se marcou esta reunião por conta do forte apelo da sociedade. “Você vai ao supermercado, vai à audiência, à festa de formatura, e todo mundo só fala disso. E a sociedade terá uma resposta assim que concluírem os inquéritos”.

Fonte: 180graus


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