Projeto pode tornar execução do hino do Piauí obrigatória nas escolas

Matéria publicada em, 14 de dezembro de 2015

Um Projeto de Lei apresentado no plenário da Assembleia Legislativa poderá tornar obrigatória a execução do hino e o hasteamento da bandeira do Piauí nas escolas públicas e particulares do estado. De acordo com a proposta, os alunos deverão cantar o hino pelo menos uma vez por semana, além da instituição ter que promover o hasteamento da bandeira. O dia dos atos ficará a cargo de cada instituição de ensino, segundo o projeto.

Bandeira do Piauí também deverá ser hasteada uma vez por semana (Foto: Gustavo Almeida/G1)
Bandeira do Piauí também deverá ser hasteada uma vez por semana (Foto: Gustavo Almeida/G1)

A proposta apresentada é de autoria do deputado estadual Francis Lopes (PRP). Segundo o parlamentar, o objetivo principal é recuperar o espírito cívico dos jovens e promover a valorização dos dois maiores símbolos do estado. O deputado destaca ainda que a medida deverá contribuir na melhoria da disciplina dos alunos.

“As escolas brasileiras são as mais indisciplinadas do mundo. Minha ideia partiu de pedidos dos próprios professores que ouço por onde ando. Colocar os alunos para cantar o hino melhora na formação deles e ajuda a estimular o patriotismo. Hoje em dia deixaram de cantar os hinos e não se tem mais aquela questão cívica bonita”, falou.

Deputado Francis Lopes, do PRP, é o autor do PL (Foto: Gustavo Almeida/G1)
Deputado Francis Lopes, do PRP, é o autor do PL (Foto: Gustavo Almeida/G1)

O parlamentar destaca que a iniciativa já é adotada por muitas escolas particulares e diz que os resultados relatados pelos gestores dessas instituições são os melhores. O Projeto de Lei foi apresentado na quarta-feira (9) e, segundo o deputado, deve começar a tramitar nas comissões no início de 2016.

“Aqui na Assembleia quando a gente vai iniciar uma sessão temos que cantar o hino e ficar de pé. Se não tivermos o ensinamento de patriotismo nas escolas do nosso estado, então nem faz sentido a gente cantar aqui também”, completou.

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A professora Mariné Ribeiro da Silva, gerente da 13ª Gerência Regional de Educação, localizada em São Raimundo Nonato, a 530 km de Teresina, disse que a iniciativa é importante e lembrou que muitas pessoas hoje em dia sequer sabem cantar os hinos do estado e do país.

“Nós chegamos a um momento em que as pessoas não sabem cantar nem mesmo o hino nacional. Entendo que mais importante do que cantar, deve-se trabalhar o sentido do hino que está sendo cantado, para que os alunos entendam. Acho que a questão da obediência nem é a mais importante, mas sim estimular, com outra visão, que o hino seja cantado”, falou a gerente que trabalha há 30 anos na educação.

O presidente do Sindicato dos Estabelecimentos de Ensino do Estado do Piauí (Sinepe), Paulo Machado, disse que concorda com a ideia do hino ser cantado nas escolas, apesar de ponderar quanto ao fato de se criar uma lei para tornar o ato obrigatório. Segundo ele, na escola em que trabalha a iniciativa já é adotada no ensino infantil.

“Fazemos isso todo dia com as crianças na minha escola. Com os adultos é mais difícil devido essa rebeldia que se tem hoje. No passado a gente fazia e tínhamos muito respeito pela Pátria. Acho isso bom, mas defendo que seja de uma forma pedagógica, trabalhar nos pequenos para fazer com que eles sejam adultos conscientes, pois hoje até mesmo as autoridades são as primeiras a mostrar desrespeito pela Pátria”, disse.

Já o professor da Universidade Federal do Piauí, Benedito Carlos Araújo, mestre em educação e doutor em Ciências Sociais, não vê a iniciativa com bons olhos. Segundo ele, a ideia de se criar uma lei para disciplinar a execução do hino nas escolas é um resquício do modelo ditatorial.

“Eu não concordo, pois a pessoa não passa a ser cívica se cantar o hino de forma obrigatória. O Brasil tem mania de criar legislação para tudo e a lei impõe sempre uma penalidade em caso de descumprimento. Seria até bom cantar o hino sim, mas ter uma lei para isso eu não concordo, pois fica aquele espírito ditatorial de obrigar as pessoas a ter civismo pela Pátria”, falou.

Após passar pelas comissões da Assembleia, o projeto seguirá para votação em plenário e se aprovado irá para sanção do governador Wellington Dias.

Fonte: G1


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