Por uma Educação de consciência e mudança

Matéria publicada em, 2 de março de 2011

OPINIÃO   Por Márcio Melo

O povo é o poder. Eis o que grita o Estado Democrático de Direito. Mas como o povo desempenha esse poder? Todo regime democrático é estabelecido sob a égide do sufrágio universal, o voto: livre, participativo e consciente.

Isso todos sabemos, não há nenhuma novidade, ou como dizia Shakespeare, “não há nada de novo sob o céu”.

Mas como desempenhar esse poder se o povo não tem a consciência de participação? Como dizer que elegemos nossos representantes, se o que temos sempre é uma minoria que não vota por trocas de favores ou sinecuras?

Uma Democracia antes de existir precisa de Educação. Pois só com um povo conhecedor de seus direitos, de sua história, de sua cultura e com uma consciência crítica será capaz de exercer esse poder. Assim, podemos dizer que conhecimento é poder, e que Democracia é participação. Várias opiniões para que então se escolha a que tem mais clamor. É fazer valer a vontade da maioria e respeitar as garantias das minorias.

Todavia, na atual conjuntura, que educação temos?

Sou professor e escolhi ser, por acreditar no ser humano e que ninguém sozinho é capaz de algo, mas com um grande grupo e com grandes ideias é possível mudar o mundo. Que me desculpem os realistas (e Vinícius), mas marxista como sou, idealismo é fundamental.

Nossos governantes não se importam com a educação. Para eles, ela pode ser uma ameaça. Um povo “educado” é muito perigoso, uma vez que cobra mais e é mais difícil de enganar.

Além disso, uma campanha eleitoral custa muito caro, então, precisa-se de empresários para o seu custeio. E os empresários precisam de mão-de-obra barata para terem um maior lucro.

Assim, temos a equação: mandato + dinheiro = povo – educação.

Os políticos para ganhar suas eleições vendem-se a empresários. Vencendo, passam todo o seu mandato pagando essa dívida, sem investir em educação (e em outras áreas) para que o povo seja o menos consciente possível e que venda seu voto por qualquer pequena quantia.

Porém, educação vale voto, é bonito prometer. Então eles enchem as escolas de computadores e laboratórios, para dizer que são equipadas, mas sem capacitar os professores. Impõe aos docentes a aprovação automática, para que as estatísticas informem que a aprovação é grande, e que por isso, pode-se dizer que é boa a educação. Prometem a inclusão, mas não habilitam o professor a trabalhar com alunos especiais, pelo contrário, lotam as salas de alunos e exigem do professor resultados milagrosos, sem que ele tenha tempo para planejar, salário para ter como comprar livros, participar de palestra ou viajar para congressos.

Ou seja, planeja-se uma educação ineficiente, que não dê certo. Formando uma classe de desempregados, sem nenhuma qualificação, para que sirva como mão-de-obra barata para seus apaniguados e que continuem a votar como seus pais, sem consciência ou vontade de mudança.

Cristóvão Buarque foi muito feliz ao dizer que a Educação Pública só realmente cumprirá seu papel quando os “filhos de rico” estudarem nela. Afinal, a verdadeira razão de se existir escolas particulares é uma só: A Escola Pública é feita para não dá certo.

É importante ainda ressaltar que nesse processo de alienação, o professor também é vítima. Abarrotado de trabalho, tendo que trabalhar em três turnos e até em finais de semana, vivendo uma vida de muito trabalho e de recuados recursos, ele acaba esquecendo seu valor. Não tendo consciência de que a transformação social passa por suas mãos e que a participação política ele pode e deve construir. O professor é o arquiteto do futuro cidadão, dotado de conhecimento, consciência e participação.

Por Marcio Melo (professor da rede municipal em Teresina, especialista em Estudos Literários e acadêmico do Curso de Direito na UESPI)


Revista Opinião
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