Artigo: Piauí, terra querida!

Matéria publicada em, 28 de dezembro de 2011

Esta semana foi iniciada com duas notícias: uma boa e outra ruim, qual você quer saber primeiro?

Bom, vamos aos fatos:

A primeira foi o estudo do Centro de Pesquisas para Economia e Negócios (CERB), com sede em Londres, publicada no Jornal “The Guardian”, que apontou o Brasil como a sexta maior economia do mundo, tendo ultrapassado o Reino Unido (Inglaterra) e ficando atrás apenas dos Estados Unidos, China, Japão, Alemanha e França, e com previsões promissoras de em breve se tornar a quinta maior do mundo, ultrapassando a França.

Que a economia do Brasil está vivendo um boom econômico ninguém tem dúvidas. Porém, estamos longe de nos tornarmos um país de primeiro mundo. Isso porque dos quatro pontos-chaves (economia, educação, saúde e segurança) para se alcançar o status de primeiro mundo, o Brasil só alcançou esse nível na economia.

É fato! O bom desenvolvimento econômico não tem se refletido em setores primordiais que elevam uma sociedade ao patamar de primeiro mundo. E o mais grave de todos é a educação, que reflete diretamente em todos os outros setores. A forma como ela tem sido tratada, professores lutando por um piso salarial de miséria, que não reflete o valor de seu trabalho no desenvolvimento de uma sociedade, nem tão pouco o bom nível que nossa economia alcançou. Se a economia está tão boa assim, por que, então, não valorizam o setor mais importante para o desenvolvimento de uma sociedade: a educação? Não preciso responder, vocês sabem mais do que eu que um povo sem liberdade (conhecimento) alimenta o ciclo, encabeçado por administradores arcaicos, que impedem o desenvolvimento e avanço da sociedade rumo ao status de primeiro mundo, em nome da vaidade de permanecer no poder (ou do meio de vida que fizeram dos recursos públicos) alimentam poucos bajuladores com migalhas, em detrimento da sociedade em geral.

Ou os senhores acham que se tivéssemos uma educação pública de qualidade teríamos os administradores que temos (seja federal, estadual ou municipal)?

De acordo com o grande filósofo francês René Descartes “uma sociedade só avança se empreender a reforma do pensamento”.

Bom! Mas, estamos presos a pensamentos passados! O que houve? O nosso pensamento não evoluiu?

Olhem para as nossas “autoridades”, os nossos administradores, e vejam se evoluímos ou paramos no tempo.

Seguindo o raciocínio de Descartes, a semente da reforma do pensamento, ou seja, da evolução de uma sociedade, é o professor. Que tamanha responsabilidade! Por que, então, não investem neles?

Será que precisam deles desmotivados, para manter um povo que não consiga enxergar a verdadeira realidade das coisas e permaneçam escolhendo péssimos representantes?

O ciclo continua. Ou você é um bajulador e se dá bem de tempos em tempos, ou você é povão, vitimado pela péssima educação que lhe torna massa de manobra que ganha um pneu de bicicleta ou um afago de uma “autoridade” na véspera das grandes decisões, ou você conhece a realidade e se envergonha com tantas injustiças e atraso da sociedade.

Pra variar, como sempre, falo demais!

Mas não se vá! Acompanhe comigo a segunda, e vergonhosa, notícia da semana.

A revista Veja dessa semana trouxe uma matéria que aponta o Piauí como o pior estado do Brasil para se investir recursos vindo de fora.

Nem preciso falar mais nada. Vivemos aqui e sabemos o que se passa. Afinal, tudo está acontecendo a olhos nus, e com a conivência de todos nós, sobretudo de uma imprensa marrom, que se cala e até divulga falsas verdades, pregando que tudo está às mil maravilhas.

Pensemos: um estado que faz uma festa de arromba pra inaugurar uma simples ponte é desenvolvido? Em que século mesmo estamos? Por um momento pensei que estivesse na Idade Média, quando os senhores feudais davam uma festança para seus servos quando faziam uma nova benfeitoria em seu feudo, ou mesmo na Roma Antiga, vivendo a política do pão e circo.

O estado de São Paulo todo mês faz uma nova ponte. Será que pra toda nova ponte feita por lá, tem uma festa de arromba?

Como exemplo local, recentemente inauguraram uma subestação de energia elétrica que já nasceu obsoleta. Basta ver que depois da implantação da mesma, a pouco mais de um mês, já tivemos três grandes quedas de energia, e isso só com o consumo local, sem a implantação de nenhuma pequena indústria que aumentasse o consumo de energia. Se era para fazer, por que não fizeram prevendo um crescimento por pelo menos 20 anos?

Nunca fomos exemplo de boas administrações, mas nos últimos anos o poder estatal se aliou com o quarto poder (a imprensa) e a corrupção passou a ocorrer a olhos nus, na vista de todo mundo, inclusive das autoridades que têm a responsabilidade de coibir. Mas, sem força, ou cerceados por motivos outros, ficaram inertes e sem poder fazer muita coisa ou ainda fazendo o possível, mas muito longe de combater, na medida certa, o grau de corrupção que tomou conta do nosso estado.

Nesse contexto, a velha profecia do grande Rui Barbosa esteve prestes de se concretizar. Em um de seus discursos memoráveis, no início do século XX, ele declarou: “chegará o dia em que o homem se envergonhará de ser honesto”. Mas, essas poucas autoridades combativas (na maioria, jovens concursados: sinônimo de liberdade) não deixarão que isso aconteça. Assim como cidadãos de bem não deixarão que o atraso e a corrupção emperrem o desenvolvimento de nossa comunidade e se manterão altivos e independentes, tentando empreender a reforma do pensamento local e com isso fazer com que o progresso chegue à nossa comunidade um dia.

(Por Edgar Gonçalves Saraiva, graduado em História pela UESPI, Policial Civil, especialista em Docência Superior.)


Revista Opinião