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OPINIÃO: VALORES DE CIDADANIA

Matéria publicada em, 3 de fevereiro de 2012

Estive recentemente em evento de posse da nova diretoria do PV de José de Freitas e tive a grata satisfação de ver o quanto o povo Freitense está amadurecendo pelas questões políticas do município. Eram jovens, em sua maioria absoluta, diante de pessoas adultas e crianças, todos ávidos por mudança. Vi pessoas com visão de mundo e perfil definido do que sejam democracia e cidadania e que nos fazem acreditar que os parasitas podem matar uma, duas, três flores, mas jamais deterão a primavera.

O que estamos vendo em José de Freitas é uma radiografia de todas as mazelas que conduziram ao caos moral e ético atual. Diariamente o cidadão honesto enfrenta indescritíveis obstáculos, matando um leão a cada dia para existir como ser humano e como cidadão, devido ao absoluto descalabro que existe na esfera administrativa. O assalto à renda através dos impostos, que, comprovadamente, são desviados para a manutenção de famílias abastadas nos causa indignação acompanhada de revolta.

Chamo a atenção, também, para a conivência e omissão do poder legislativo municipal. Qual a participação efetiva dos vereadores no processo de melhoria da qualidade de vida da população de José de Freitas? Os vereadores são eleitos e pagos pela população para prestarem serviços em nome da coletividade e não usurparem o mandato para fazerem conchavos políticos na garantia de interesses pessoais.

O evento de transição da diretoria do PV foi uma oportunidade valiosa, onde a população foi convocada a debater e trocar ideias e, acima de tudo, estimular a participação da sociedade no acompanhamento e controle da gestão pública de forma mais efetiva e democrática, e, assim, garantir o uso correto e eficiente do dinheiro público. O acompanhamento e controle da gestão pública pela sociedade é uma atitude que deve ser inserida na cultura do Brasileiro e, principalmente, do povo freitense. Transparência e controle social só se têm com a conscientização da sociedade. O recurso público sai do bolso do contribuinte, por isso a fiscalização e o controle devem ser exercidos pelo povo. É hora de acordar para essa possibilidade aberta pela democracia e participar de forma consciente e responsável.

Torço para que seja resgatado, dentro do correto respeito, o bem-estar do povo, a predominância dos valores morais, assim obtendo a primazia da defesa do povo contra os excessos e abusos dos entes do município existentes hoje, que infelicitam o povo despertando o seu potencial verdadeiro, quando passarão a exigir conceitos que valorizam a ética e a probidade de quem estiver no exercício do poder.

Os gestores do município estenderam na areia do cotidiano do município a toalha amarfanhada do nepotismo. Insistem eles que os seus rebentos e parentes continuem veranistas permanentes do erário, alheios à brisa democrática do concurso público e indiferentes a ética. Espera-se, ansiosamente, que no oceano da ética o nepotismo seja uma mera referência de um tempo que já passou, e que, por isso, nunca mais desembarcará em solo freitense. O povo freitense não aceita mais ser colocado à margem das decisões políticas, excluído das políticas públicas, mesmo sendo negados os seus direitos, somos homens cidadãos, mulheres cidadãs e jovens cidadãos que exigimos respeito à nossa dignidade e zelo pela coisa pública.

Todos temos o direito de desfrutar de forma equitativa das contribuições que fazemos aos cofres públicos. Os recursos públicos devem ser utilizados para o desenvolvimento das comunidades e não para o enriquecimento de uns poucos. É importante que se promova o desenvolvimento de uma cidadania ativa que acompanhe o uso adequado dos recursos públicos, o combate às numerosas modalidades de desvio de recursos públicos deve, portanto, constituir-se em compromisso de todos os cidadãos e grupos organizados que queiram construir uma sociedade justa e equilibrada.

Devemos isso aos nossos filhos. Em ambiente em que a corrupção predomina, dificilmente prospera algum projeto para beneficiar os cidadãos, pois suas ações se perdem e se diluem na desesperança. De nada adianta uma sociedade organizada ajudar na canalização de esforços e recursos para projetos sociais, culturais ou de desenvolvimento de uma cidade, se as autoridades municipais responsáveis por esses projetos se dedicam exclusivamente ao desvio de dinheiro público.

Por: Armando Alves, taxista e membro do PV de José de Freitas-PI


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