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Opinião: Pesadelo Asqueroso

Matéria publicada em, 7 de maio de 2011

compra de voto

Ontem sonhei com uma situação asquerosa: há quem compre voto. Tentei acordar rapidamente. Não deu. Resolvi então, investigar como se dá esse processo escuso. Durante minha empreitada cidadã tive ajuda de um companheiro onisciente.

Quem compra acha que isso é normal, voto para eles é como mercadoria mesmo, considera os vendidos sem consciência. Até esse ponto, caro leitor, nem me assustei tanto, considerando o caráter dos compradores. O que lerá mais adiante é deprimente, revoltante. Absurdo querer caracterizar tal ato neste pequeno texto. Há alguns que se vendem porque realmente não têm consciência mesmo, mas os que têm, não se vendem, se prostituem politicamente.

Num momento de privação de consciência devido à revolta que me dominara, cheguei a pensar que a prostituição sexual seria menos má que a prostitução política. Minha loucura lógica partia da premissa de que os que se prostituem sexualmente prejudicam mais a eles próprios que a sociedade como um todo. Já quem se prostitui politicamente prejudica uma sociedade inteira, inclusive, gera prostituição sexual. Queira por bondade deletar essa loucura, caro leitor, sob pena de interpretarem que estou fazendo apologia à prostituição.

O cuidado excessivo com o próprio estômago sufoca muito os que se vendem sem consciência. Um pequeno comerciante que conheci neste sonho não consegue entender que se a cidade melhorar, sua venda também acompanha a mesma lógica. Senhor pequeno comerciante, se mais dinheiro circular na cidade, cresce a probabilidade de mais clientes irem ao seu estabelecimento. Ele só entendeu que se seus dois filhos “conseguissem” um emprego na prefeitura local, as coisas melhorariam para ele. Pensa em constuir uma bela casa com muros de 5m de altura e com cerca elétrica.

Caro leitor, convido-te a ter pena desse pobre diabo. Ele não sabe que está se tornando prisoneiro em sua própria casa. Mas você, que dedicou um pouco de seu tempo para ler este chato escrevendo coisas redundantes e notórias sabe que se esse tal comerciante votasse consciente, certamente a cidade teria mais segurança, infraestrutura, investimentos, etc.

O pior de tudo está por vir: acordei e ouvi comentários dos não hipócritas, que realmente há quem compre voto e, infelizmente, quem se anula, quem desiste de si e consegue carregar na mente o mísero valor da sua consciência vendida.

( Por Luis Alves, Técnico Agrícola, Delegado Sindical do Sindicato dos Bancários do Piauí, Coordenador da Pastoral Familiar da Paróquia Nossa Senhora do Rosário, Acadêmico de Ciências Contábeis e Bancário)


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