OPINIÃO: PAIXÃO POLÍTICA. PRA QUE?

Matéria publicada em, 26 de agosto de 2011

Com o passar do tempo, fomos descobrindo que em José de Freitas as paixões e os interesses pessoais conduzem de forma quase absoluta o destino da política local. É verdade que o fenômeno ocorre nas outras pequenas cidades do interior do país, mas, é triste perceber que em nosso município essa realidade decide as eleições à medida que tira das pessoas de bom senso o poder de decisão, para colocá-lo nas mãos de dois ou mais caciques da política local. O fenômeno é resultado da pouca cultura política da população e, também, do sistema eleitoral vigente no país que não exige qualificação dos políticos para serem candidatos a um cargo eleitoral.

Bandeira de José de Freitas
Assim como a iniciativa privada normalmente exige do candidato a um emprego o seu “curriculum vitae’’para saber se o pretendente está apto a ocupá-lo com perspectivas de sucesso, o sistema eleitoral deveria também fazer o mesmo, impondo aos partidos políticos a obrigação de exigir de cada candidato a um cargo eletivo a comprovação de conduta ilibada e de conhecimentos suficientes para exercer a função que pleiteia. Essa providência evitaria que os municípios ficassem entregues aos analfabetos funcionais, que não têm capacidade para administrá-los dentro dos parâmetros que medem uma boa gestão e, igualmente, aos maus políticos, comprovadamente corruptos, que sempre usam o cargo para se locupletarem do dinheiro público.

Mas, como em nosso sistema eleitoral não existem regras para definir o gestor público, qualquer cidadão, bom ou ruim, honesto ou corrupto, sábio ou ignorante, pode candidatar-se ao cargo, e essa lacuna muitas vezes leva as cidades a serem administradas pelos incompetentes ou pelos aproveitadores. Fato que se repete nos demais cargos executivos e, também nos cargos legislativos, onde atualmente, encontra-se a maioria dos políticos picaretas desse país. Se a culpa dessa triste situação é do sistema eleitoral, também o é dos eleitores que, politicamente apaixonados por grupos ou partidos políticos, descartam o bom senso no momento de votar, e fazem de suas escolhas uma disputa eleitoral semelhante à de um jogo de futebol.

Aqui em José de Freitas é assim, fala muito mais alto ao eleitor o interesse pelo seu grupo político. O destino do município ele deixa entregue ao acaso, isto é, pouco lhe importa quem vai ser o prefeito da cidade, contanto que o eleito seja do seu grupo político. E, quase sempre, o escolhido pela população é um cacique local que, entra eleição e sai eleição, está sempre disputando o cargo de prefeito com outro cacique rival.

Apenas a paixão política, que aqui se assemelha à paixão pelo futebol, pode explicar esse fenômeno. Cada eleitor tem seu grupo político, como cada torcedor tem seu time preferido. E, quando chega o período eleitoral, o processo político desenrola-se como um campeonato, onde cada ato político é como se fosse um jogo de futebol, em que as torcidas vestem camisas, gritam e brigam por um resultado eleitoral que satisfaça sua paixão. Enquanto isso, são poucos os eleitores que vêem nessa disputa o destino do município e de milhares de pessoas sendo submetidas à superficialidade.

Porém, quanto mais pararmos para pensar no fenômeno, entendemos menos porque tanta gente, aparentemente de bom senso e com instrução elevada, continua correndo atrás dos caciques políticos, mesmo quando percebem que eles já foram superados pelos novos tempos, ou ficaram inelegíveis em razão da incompetência ou da corrupção desenfreada.

Precisamos direcionar um olhar corrosivamente lúcido sobre os fatos da vida pública de José de Freitas. Nós como homens e mulheres conscientes devemos barrar a continuidade dessa política antiprogressista e doentia que impera na cidade. O debate preliminar, que a meu ver está começando em boa hora, deve transcender não só á mídia, mas também aos partidos políticos, e a população em geral tem o dever de externar suas opiniões. As escolhas dos futuros ocupantes de cargos políticos devem e têm que levar em conta suas histórias pessoais de vida, trajetórias de vida pública, onde o ponto alto será o compromisso com o bem comum, honestidade com o uso do dinheiro público e atenção com as verdadeiras e necessárias prioridades da população. Esse é o espírito democrático onde os diferentes podem viver em harmonia.

Não podemos silenciar frente às injustiças, pois a voz é nossa arma democrática, e a utilizaremos então, com coerência: se for Zé ou José, não importa o que importa é que nosso município saia fortalecido.

Por: Armando Alves, taxista e membro do PV de José de Freitas-PI


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