Opinião: O PODER É DO POVO E O POVO O QUER DE VOLTA!

Matéria publicada em, 14 de dezembro de 2011

Por indicação do meu amigo Aérton Tingaúna, li atentamente a matéria “Farra com o dinheiro do povo…” (http://www.revistaopiniao.com/politica/farra-com-o-dinheiro-do-povo-nepotismo-impera-na-camara-municipal-de-jose-de-freitas.html) e qual não foi o meu contentamento de saber que em José de Freitas, estado do Piauí,  cidadezinha com quase 40 mil habitantes, onde nasci e passei boa parte da minha juventude, nem tudo está perdido.

Luiz Ferreira Leite, economista

Um grupo entusiasta de jovens, descontente e envergonhado com os desmandos que, a exemplo do que  ocorre em todo o território nacional e está se tornando uma rotina naquela cidade, em que os parcos recursos disponíveis para amenizar um pouco o sofrimento daquela gente, cuja maioria absoluta é constituída de pessoas honestas, dignas, porém, pobres, tais recursos estão sendo colocados à disposição de uma corporação que se locupleta  e deixa a população Zé-de-Freitense abandonada à sua própria sorte, desprovida completamente dos equipamentos públicos, tais como, saúde, educação, segurança, entretenimento, lazer, etc, tão necessários à vida humana.

São pessoas dignas, como a maioria, que não pertencem à parte podre da cidade e que, conscientes do papel que devem desempenhar na sociedade, começam a dar um grito de basta aos desmandos e à letargia em que se encontra o município de José de Freitas, como uma forma de resgatar  e restabelecer os bons costumes, a moral, a ética, a honestidade e a honradez para com a coisa pública, de modo que tais princípios possam ser consolidados e transmitidos de forma inexorável às gerações que estão chegando.

A Constituição Brasileira prevê a organização política e basilar dos cidadãos em três poderes (Judiciário, Executivo e Legislativo), que são harmônicos, porém, independentes, e que se refletem nas três esferas administrativas (Federal, Estadual e Municipal). Quero apenas me posicionar sobre o poder Legislativo que, de fato e de direito, é o que representa o povo e em seu nome  deve ser exercido. Contudo, não é exatamente isso o que vem acontecendo nos últimos anos.  Na prática, os políticos estão passando uma outra lição à população, onde o legislativo é cooptado pelo executivo, eliminando completamente a representatividade popular tornando, assim,  muito fácil a tarefa de constituírem grupos e corporações direcionadas a  cometerem oculta e escancaradamente os mais diversos  crimes de improbidade administrativa, que vão desde o enriquecimento ilícito até à depredação casual e total dos equipamentos públicos.

Devo dizer que vocês estão no caminho certo e não devem parar no primeiro passo.  Se as irregularidades existem na Administração Municipal e podem ser comprovadas, o grupo deve partir para o segundo passo que é informar e arregimentar a população freitense, e partirem, juntos, para o protesto e forçar o poder representativo do povo (Câmara de Vereadores) a desencadear o processo de “impeachement” do governante de plantão. O que não pode é a cidade continuar da forma como está e com perspectiva de piorar cada vez mais.

Estive recentemente na minha querida José de Freitas e confesso que fiquei decepcionado e um tanto quanto chocado com o que vi. As ruas, todas, sem exceção,  completamente esburacadas e algumas delas até intrafegáveis, transmitindo a sensação de um completo e total abandono. À noite, foi muito triste observar que as ruas da cidade estavam às escuras, algumas delas com quase 70% das luminárias queimadas. Cheguei até conversar com algumas pessoas sobre o motivo do total abandono e me explicaram que o prefeito não mora na cidade e comparece pouco ao município, não tem compromisso com a população e muito menos com o cargo que ocupa. Sendo assim, não há mais o que esperar.  Chamem os vereadores à responsabilidade e partam para o ataque, meus caros jovens. Convoquem a população para uma reação e digam em voz uníssona ao gestor de plantão dessa cidade: NÃO, O SENHOR NÃO PODE. O PODER É DO POVO E O POVO O QUER DE VOLTA. O SENHOR NÃO ESTÁ SENDO DIGNO!

Por LUIZ FERREIRA LEITE (Economista pelo Centro Universitário de Brasília, Professor, licenciado pela Universidade de Brasília)

 


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