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OPINIÃO: DEMOCRACIA ALTERADA

Matéria publicada em, 28 de junho de 2011

Numa democracia é essencial a consciência da responsabilidade, a responsabilização daqueles que detêm o poder e o exercem. Tudo gira a volta disso. Trata-se, por consequência, não de conduzir o povo, mas de dar satisfação ao povo. Nenhum governante pode mais do que o conjunto de regras que normatiza a vida em sociedade, a isso chamo de democracia.

É um regime político- administrativo em que todos os cidadãos são livres para fazer o que julgarem conveniente, mas desde já, aceitando que deverão responder pelos atos e ou excessos cometidos. Bom seria se por aqui os governantes tivessem a palavra submetida aos rigores da fé pública. Se, por conta de um princípio ético, eles não pudessem mentir. Se mentir para eles fosse uma violação dos seus valores, herdados de pais e avós, uma quebra de compromisso que jamais teriam como explicar para seus filhos e netos.

A administração pública precisa ser questionada, independente de política, e os gestores devem oferecer resposta ainda que haja política no questionamento. Desde que o problema de fato exista, o poder público deve ser transparente e cuidar de sua resolução. A população, de outro lado deve estar atenta para acompanhar e cobrar providências quando necessário. Todo e qualquer gestor público tem a obrigação de ser transparente. Não apenas os gestores, mas os servidores de um modo geral. Eles têm o dever de prestar contas do que administram, pois devem partir do princípio de que cuidam dos recursos e do interesse público.

No entanto, a sociedade tem todo o direito de saber o que é feito do dinheiro do povo. Quanto aos gestores, eles sabem muito bem do que se trata, mas de certo modo, imaginam que estão cuidando de um patrimônio que lhes pertence, e não à população. Faz-se necessário esclarecer que em tempos atuais não há mais espaço para atitudes centralizadoras, daqueles administradores que não admitem qualquer tipo de questionamento sobre a sua atuação e que, também, não aceitam apresentar prestações de contas dos recursos que são encarregados. É como se ainda estivéssemos na época da ditadura. Essa situação de agente público não dever satisfação ao público é arraigada e bem distribuída, vai do Oiapoque ao Chuí, naturalmente passando pelo Piauí. E o povo? Ah, como o povo gosta dessa gente, ama de coração. Idolatra. Chega a ser comovente o respeito que esse povo devota aos picaretas.

E os prefeitos, então! Quanto mais o cara é condenado pelos tribunais de contas, quanto mais vezes perde o mandato, mais benquisto fica junto ao eleitor. Chegada a eleição, porém, está lá ele, prometendo o que não vai fazer, repetindo o velho discurso de sempre, agradando um ou outro com aquela conversa melosa de pé de ouvido, e pronto.

Em nosso estado predomina a política do coronelismo, onde os políticos se julgam intocáveis, não aceitam críticas de quem quer que seja, não aceitam ser investigados pelas instituições competentes. Qualquer sinal de que estão sob apuração já ficam melindrados e buscam exercer o seu poder com ainda mais força. É então que acontece o abuso. É então que percebemos que não vivemos exatamente numa democracia. Em países efetivamente desenvolvidos e, portanto civilizados, os políticos que, comprovadamente, malversam o dinheiro público são julgados, condenados, e presos. Aqui é muito diferente, os larápios são premiados com promoções em cargos comissionados, tornando-se gente de muita confiança dos que estão no poder.

Definitivamente, esse tipo de democracia precisa ser alterada.

(Por: Armando Alves – Taxista e membro do Partido Verde de José de Freitas)


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