Operação do Ministério Público descobre fraudes em pelo menos 5 cidades do PI

Matéria publicada em, 16 de julho de 2016

Pelo menos 90% dos municípios piauienses têm algum tipo de esquema de fraude e de desvio de verba pública, segundo o coordenador do grupo de atenção especializado no Combate ao Crime Organizado do Ministério Público Estadual (Gaeco), Rômulo Cordão.

Foto: G1
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Edilson Correia, chefe regional da Controladoria Geral da União (CGU), confirma a informação e diz que o esquema criminoso descoberto em Redenção Gurguéia não é “privilégio” do município.

Para Rômulo, as “relações promíscuas” estão presentes em várias prefeituras. Ele explicou como acontecia o esquema em Redenção do Gurguéia e declarou que foram desviados, pelo menos, R$ 17 milhões com as fraudes. “Hoje estão sendo investigadas quatro empresas que se aproximavam das prefeituras oferecendo vantagens em troca do fornecimento de notas frias. Só que essas empresas eram completamente de fachada. Há o caso de empresas que prestaram serviços de locação sem possuir nenhum veículo. Outras que atuavam na construção civil e teriam feito obras sem comprar, sequer, um tijolo. Outras faziam o fornecimento de alimentos, mas não havia merenda nas escolas”, descreveu o coordenador do Gaeco.

As empresas estavam atuando em Redenção do Gurguéia, Avelino Lopes, Morro Cabeça do Tempo, Bom Jesus e Corrente.

Rômulo falou ainda que os empresários levavam de 15% a 25% do valor do contrato fraudado. Os contratos valiam, em média, R$ 1,5 milhão. O coordenador acrescentou que as vantagens ilícitas às prefeituras eram oferecidas pelos empresários, não apenas em Redenção do Gurguéia, mas também a várias outras prefeituras.

Participaram como parte do esquema, facilitando as fraudes dentro da prefeitura, o prefeito Delano Parente (PP), seu pai (Aldemis de Sousa Nunes, secretário de Infraestrutura), Julimar Pereira Borges (secretário de Saúde), Marcílio Braz de Lima (servidor municipal), Romário Alves de Figueiredo (ex-presidente da Comissão de Licitação), Hildo Martins de Sousa Filho (engenheiro da prefeitura, responsável por ‘fiscalizar’ as obras municipais inexistentes), Benedito Fonseca dos Santos (servidor público e gerente de contrato da prefeitura), Kassandra Arnaldo Parente (servidora pública) e Cíntia Loyane Lima do Lago (presidente da Comissão de Licitação). Kassandra e Cíntia foram apenas conduzidas para prestar depoimento à polícia.

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Os demais presos são todos empresários, com exceção de Igor Martins Ferreira de Carvalho e Tiago Rodrigues Nogueira Júnior, que são os advogados responsáveis por garantir o aspecto de legalidade aos esquemas, segundo informou o coordenador. Veja abaixo a lista completa (os nomes marcados com asterisco estão sendo considerados foragidos):

O Magnaldo, que está foragido, é irmão do secretário de Saúde Julimar. O procurador geral Cleandro Moura informou que os dois advogados já revelaram ao MP que Magnaldo pretende se entregar em breve. Todos permanecem presos – alguns na Penitenciária de Bom Jesus e outros em Teresina.  O local exato não foi informado.

O coordenador destacou que parte do dinheiro desviado está sendo usado para fins eleitorais, como compra de votos no município de Redenção do Gurguéia. Contudo, o procurador geral destacou que a operação não tem fins “eleitoreiros”. “O Ministério Público só tem o dever de fiscalizar as eleições. Nós não participamos do pleito, nem temos candidato. Faremos o que for da nossa responsabilidade”, declarou o procurador Cleandro Moura.

Rômulo falou ainda dos esquemas envolvendo outras cidades, mas destacou que ainda não há uma investigação em curso. “É claro que quando se inicia uma apuração deste tamanho, muitas outras coisas são descobertas. Mas, no momento, nosso foco é Redenção do Gurgueia, porque foi a pedido da promotora local que demos início a tudo isso, após denúncia”, completou.

O coordenador do Gaeco ressaltou que há inúmeras provas do esquema, incluindo depoimentos de envolvidos que confirmam a prática. “Temos diversos indícios bastante densos sobre tudo que vem acontecendo, principalmente com a quebra dos sigilos bancários, telefônicos e fiscais dos envolvidos, além de relatórios do TCE e da CGU”.

Fonte: cidadeverde


Revista Opinião