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O mundo perde um líder: morre Nelson Mandela, o maior símbolo da luta pela igualdade racial

Matéria publicada em, 6 de dezembro de 2013

O ex-presidente da África do Sul Nelson Mandela morreu aos 95 anos em Pretória, nesta quinta-feira (5). Mandela ficou internado de junho a setembro devido a uma infecção pulmonar. Ele deixou o hospital e estava em casa. Morreu às 20h50, no horário local de Pretória – 16h50 do horário brasileiro de verão. O funeral de Mandela deve durar 12 dias.

Foto: AP

Foto: AP

O corpo será enterrado, de acordo com seus desejos, na aldeia de Qunu, onde cresceu. Os restos mortais de três de seus filhos foram sepultados no mesmo lugar, em julho, após ordem judicial.

Conhecido como “Madiba” na África do Sul, Mandela foi considerado um dos maiores heróis da luta dos negros pela igualdade de direitos no país e foi um dos principais responsáveis pelo fim do regime racista do apartheid, vigente entre 1948 e 1993.

VEJA A TRAJETÓRIA DE VIDA DE NELSON MANDELA

VIDA E ESTUDOS

(Foto: Museu da África de Johanesburgo; The Peto Collection/University of Dundee; Robben Island Museum)

(Foto: Museu da África de Johanesburgo; The Peto Collection/University of Dundee; Robben Island Museum)

“Eu gosto de amigos que têm mentes independentes, porque eles tendem a fazer você ver os problemas por todos os ângulos”

1918: Nasce em 18 de julho no clã Madiba, no vilarejo de Mvezo. Seu pai, Henry Gadla Mphakanyiswa, era chefe do vilarejo e teve quatro mulheres e 13 filhos.

1939: Cursa Artes na Universidade de Fort Hare, onde conhece o amigo Oliver Tambo. Ambos foram expulsos dois anos depois por ativismo político.

1941: Obrigado pelo rei de sua tribo a se casar, foge para Johanesburgo e conhece Walter Sisulu, um futuro amigo pessoal e mentor no ativismo antiapartheid (na foto, os dois estão na prisão, em 1966).

CASAMENTO E FILHOS

(Fotos: Nelson Mandela Museum; AFP; WTN/AFP)

(Fotos: Nelson Mandela Museum; AFP; WTN/AFP)

“Uma boa cabeça e um bom coração são sempre uma combinação formidável. Ao adicionar a isso uma língua alfabetizada ou uma caneta, então você tem algo realmente especial”

1944: Casa-se com uma prima de Sisulu, a enfermeira Evelyn Mase. Tem dois filhos e duas filhas – uma delas morreu ainda na infância. Os dois se separam em 1955 e efetivam o divórcio em 1958.

1958: Tem seu segundo casamento com a assistente social Nomzamo Winnie Madikizela. Os dois têm dois filhos e se divorciam em 1996 por divergências políticas que vieram a público.

1998: No dia de seu 80º aniversário, casa-se com Graça Machel, viúva de Samora Machel, antigo presidente moçambicano.

(Fotos: Nelson Mandela Museum; AFP; WTN/AFP)

TRAJETÓRIA NO CNA

(Foto: Emilie Chaix/Photononstop/AFP; Robben Island Museum)

(Foto: Emilie Chaix/Photononstop/AFP; Robben Island Museum)

“Muitas pessoas neste país pagaram o preço antes de mim, e muitas irão pagar depois de mim”

1942: Começa a frequentar informalmente reuniões do Congresso Nacional Africano (CNA), grupo multirracial que iria lutar contra o apartheid, o regime de segregação racial.

1948: O Partido Nacional ganha as eleições do país e começa a implementar a política de apartheid. No mesmo ano, torna-se secretário nacional da Liga Jovem do CNA.

1952: Já presidente da Liga Jovem do CNA, é escolhido líder da campanha de oposição contra seis leis consideradas injustas. Acusado sob a Lei de Supressão do Comunismo, é preso com 19 colegas e condenado a trabalhos forçados. Ele negou ser comunista. Livros recentes de um historiador britânico mostram documentos que indicam que Mandela fez parte do partido comunista. E o CNA tem uma aliança histórica com o Partido Comunista.

GUERRILHA

(Foto: Eli Weinberg/IDAFSA)

(Foto: Eli Weinberg/IDAFSA)

“Eu não tinha nenhuma crença, a não ser que a nossa causa era justa, era muito forte e estava ganhando cada vez mais apoio”

1955: Ajuda a articular o Congresso do Povo, consolidando as ideias antiapartheid em um documento chamado Carta da Liberdade. No fim do ano, é preso com outros 155 ativistas.

1960: Em março, a polícia mata 69 manifestantes desarmados em um protesto contra o governo em Sharpeville. O Partido Nacional declara estado de emergência no país e bane o CNA.

1961: É absolvido no processo da prisão de 1955 e torna-se líder da guerrilha Umkhonto we Sizwe.

1962: Deixa o país ilegalmente para viajar pela África e receber treinamento militar. É preso em agosto, ao retornar, e condenado a cinco anos de prisão.

ANOS NA PRISÃO

(Foto:AFP; Emilie Chaix/Photononstop/AFP)

(Foto:AFP; Emilie Chaix/Photononstop/AFP)

“Cultivei o ideal de uma sociedade democrática e livre, na qual todas as pessoas vivem juntas em harmonia e com oportunidades iguais. Este é um ideal pelo qual eu espero viver e alcançar”

1964: Mandela e outros sete colegas julgados por sabotagem são sentenciados à prisão perpétua. Ele é levado para a Ilha de Robben, onde passa 18 anos preso, usando o número 46664.

1982: É transferido para a prisão Pollsmoor, no continente, onde fica preso por mais nove anos (na foto, a cela de Mandela em Robben).

1985: Inicia o diálogo sobre sua libertação com o Partido Nacional, que exigia que ele não voltasse à luta armada. Passa por uma cirurgia na próstata e, ao voltar à prisão, fica sozinho em uma cela.

SOLTURA E NOBEL DA PAZ

(Foto:AFP; Gerard Julien/AFP)

(Foto:AFP; Gerard Julien/AFP)

“Se eu tivesse meu tempo novamente, faria tudo igual, assim como qualquer homem que se atreve a chamar a si mesmo de homem”

1990: Em 2 de fevereiro, o Congresso Nacional Africano (CNA) é reinstituído. No dia 11, é solto e, em um evento transmitido mundialmente, diz que continuaria lutando pela igualdade racial no país.

1991: Mandela é eleito presidente do CNA. Encabeça uma série de articulações políticas que culminaram nas primeiras eleições democráticas e multirraciais do país.

1993: Divide com Frederik de Klerk, eleito presidente da África do Sul, o Prêmio Nobel da Paz por seus esforços para trazer a paz ao país.

PRESIDENTE AOS 75 ANOS

Foto: AP

Foto: AP

“Os verdadeiros líderes devem estar prontos para sacrificar tudo pela liberdade de seu povo”

1994: Em 27 de abril, a África do Sul tem as primeiras eleições democráticas de sua história. O CNA ganha com 62% dos votos, e Mandela, aos 75 anos, torna-se o primeiro líder negro do país.

1995: A África do Sul sedia a Copa do Mundo de Rúgbi. Mandela apoia a (futura campeã) seleção nacional, composta por atletas brancos, em um dos primeiros passos simbólicos para a reconciliação do país.

1999: Não se candidata à reeleição e se aposenta da carreira política. Passa a viver parte de seu tempo em sua casa no vilarejo de Qunu, onde passou a infância.

SAÚDE FRAGILIZADA

(Foto: Matt Dunham/AP; AP; Jacquelyn Martin/AP;)

(Foto: Matt Dunham/AP; AP; Jacquelyn Martin/AP;)

“A morte é algo inevitável. Quando um homem já fez o que ele considera ser seu dever perante suas pessoas e seu país, ele pode descansar em paz”

2001: É diagnosticado e tratado contra um câncer de próstata.

2010: Faz sua última aparição pública, durante a Copa do Mundo de 2010, realizada na África do Sul.

2011: É internado com problemas respiratórios, decorrentes de uma tuberculose contraída na prisão. É liberado após dois dias.

2012/2013: Em fevereiro, é internado com dores abdominais. Em dezembro, é identificada uma infecção pulmonar, que o deixa 18 dias no hospital. Foram cinco internações em cerca de dois anos. Em 2013, foram duas internações: 28 de março e 8 de junho, ambas por infecção pulmonar.

(Fotos: Matt Dunham/AP; AP; Jacquelyn Martin/AP;)

O APARTHEID

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Créditos:

Infografia: Daniel Roda, Dalton Soares, Elvis Martuchelli e Leo Aragão
Desenvolvedores: Thiago Bittencourt
Edição: Gustavo Miller
Texto: Juliana Cardilli

Fonte e fotos: G1


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