Ministro da Saúde diz que vai “torcer” para que mulheres peguem zika antes da idade fértil

Matéria publicada em, 13 de janeiro de 2016

O ministro da Saúde, Marcelo Castro, cometeu mais uma gafe nesta quarta-feira, ao afirmar, em tom de brincadeira, que torceria para que mulheres se contaminem pelo zika antes da idade fértil. O comentário foi feito quando Castro falava sobre os projetos de desenvolvimento de vacina contra o vírus, que chegou ao Brasil no ano passado, já circula em 20 Estados e está relacionado ao surto de nascimento de bebês com microcefalia.

Foto: Valter Campanato (Agência Brasil)
Foto: Valter Campanato (Agência Brasil)

O ministro disse que o imunizante, uma vez desenvolvido, seria fornecido para parte da população considerada mais suscetível.

“Não vamos dar vacina para 200 milhões de brasileiros. Mas para pessoas em período fértil. E vamos torcer para que mulheres antes de entrar no período fértil peguem a zika, para elas ficarem imunizadas pelo próprio mosquito. Aí não precisa da vacina”, disse.

Três laboratórios públicos se preparam para iniciar projetos para desenvolvimento de vacinas que protejam contra o zika. Castro, afirmou que Evandro Chagas, Biomanguinhos e Instituto Butantã já começam a se articular para, em colaboração com outros centros de pesquisa internacionais, iniciar as pesquisas.

“O projeto é a longo prazo. Não teremos nenhuma resposta antes de, pelo menos, dois anos”, afirmou.

A ideia é que cada centro siga uma linha de pesquisa em colaboração com institutos internacionais.

“Não será um rede de laboratórios brasileiros. Cada um investirá no desenvolvimento de uma estratégia específica”, contou o ministro. Dessa maneira, avalia, aumentam as chances de se encontrar mais rapidamente uma alternativa eficaz para o combate ao vírus.

Na sexta-feira, Castro deverá visitar o Instituto Butantã para discutir as propostas. Sábado, será a vez de Biomanguinhos. Com o Instituto Evandro Chagas, as negociações estão mais adiantadas.

“Queremos definir estratégia rapidamente. Cada mês perdido pode representar meses a mais sem uma arma eficaz de combate ao problema”, disse.

O ministro afirmou que os Institutos Nacionais de Saúde dos Estados Unidos (NIH) estão entre os cotados para parceria de desenvolvimento de projeto contra o zika.

“Acreditamos que essa vacina seja mais fácil de ser preparada do que a da dengue, porque envolve apenas um vírus, não quatro subtipos, como ocorre com a dengue”, comentou Castro.

O piauiense garantiu que não faltarão recursos para o desenvolvimento de projetos nesta área. De acordo com ele, a verba necessária não é “exorbitante”.

“Mais caro será depois da vacina produzida, você distribuir. No caso da zika, a gente tem uma facilidade que é um público alvo”, completou.

Fonte: Estadão


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