Mais um jovem é executado em via pública em José de Freitas

Matéria publicada em, 5 de dezembro de 2011

Aconteceu na madrugada desta segunda feira, 05 de dezembro, por volta da 1h30min, mais uma execução, envolvendo jovens envolvidos com drogas, em pleno centro de José de Freitas. A vítima desta vez foi o jovem conhecido por Junior Panzilão, de aproximadamente 23 anos, que já era bastante conhecido no submundo do crime.

Vítima, Jr. Panzilão, ao ser preso em agosto deste ano

Junior Panzilão, que residia no bairro Matadouro, zona sul da cidade, foi executado com um tiro de revólver calibre 38 na altura do olho direito, pelo acusado Carlos André Cardoso, residente na Rua Regina Santana, também no Bairro Matadouro. Panzilão foi executado enquanto se encontrava na companhia de vários amigos em frente ao clube do professor, onde ocorria uma festa dançante. No momento do crime o número de pessoas era bastante grande na frente do clube, inclusive muitos visitantes de outras cidades que estavam em José de Freitas para prestigiar a Primeira Parada da Diversidade que ocorreu durante todo esse final de semana.

Clube onde ocorria a festa

Após o crime o acusado Carlos André, fugiu do local em uma moto Yamaha, na companhia de uma mulher não identificada. A polícia e guardas municipais foram acionados e passaram a empreender diligências, mas até o momento não capturaram o acusado. Eles informaram que o crime pode ter sido motivado por uma rixa entre os dois, supostamente causada por ciúmes ou envolvimento com drogas.  A polícia suspeita também de acerto de contas, já que a vítima e o acusado têm passagem pela polícia por envolvimento com entorpecentes.

Acusado Carlos André, informações 88184155, PM de JF
Imagem do local onde Panzilão foi executado

Esta foi a terceira execução de jovens envolvidos com drogas na cidade de José de Freitas em pouco mais de um ano. O primeiro crime ocorreu por volta das 23h10min do dia 09 de maio de 2010 (um domingo) quando o jovem Francisco das Chagas da Silva (o Neném), 18 anos, solteiro, foi morto a golpes de facão, na Praça Governador Pedro Freitas, no centro da cidade, pelo acusado conhecido como Kleiton, de 22 anos, que dias depois se apresentou acompanhado de um advogado e hoje responde o processo em liberdade.

Jovem de 18 anos assassinado em praça pública, em maio de 2010

Já no dia 04 de setembro deste ano (um domingo), por volta das 22h30min, foi assassinado com dois tiros, no Bairro Santa Luzia, quando abriu a porta de sua casa após ouvir o chamado de alguém, o eletricista Carlos Augusto Nonato dos Santos, 32 anos, solteiro, que foi executado por três homens que conseguiram fugir do local, mas foram capturados no dia seguinte pela polícia militar e Guardas Municipais e hoje se encontram presos na casa de custódia. Carlos Augusto foi morto por engano, os assassinos foram a casa da vítima para matar seu irmão conhecido como Historinha, que é bastante conhecido da polícia por envolvimento com drogas e roubos.

É triste, mas é uma realidade. As drogas se alastram por toda a José de Freitas, sobretudo nos bairros Matadouro e Matinha, onde moradores já não suportam mais os altos índices de violência e a maioria nem comunica mais às autoridades policiais os pequenos roubos e furtos ocorridos naqueles bairros e está preferindo mudar de endereço, procurando locais mais tranquilos pra viver.

Estudos afirmam que o consumo do crack é uma questão de saúde pública. Deixar a responsabilidade  de lidar com os viciados em crack apenas com a polícia é um erro, é pedir que esta enxugue gelo, porque está provado que cadeia não dá jeito em viciado em crack (sempre que for solto ele vai voltar a delinquir e a polícia vai ter que prendê-lo novamente, tornando-se um ciclo sem fim).

O que dá jeito em viciado em crack é tratamento, onde a polícia deve prender, como sempre faz, levar para delegacia, fazer o procedimento legal e em seguida o viciado (preso) deve receber uma visita de assistentes sociais do CRAS, que a partir daí passarão a acompanhar o viciado e ver a possibilidade de tratamento para ele, se em uma clínica especializada, bancada pelo Estado (estado ou município) ou no próprio CRAS, dependendo do estágio de desintegração da personalidade deste viciado. Só agindo dessa forma poderá diminuir o índice de violência nesta cidade, dando qualidade de vida aos cidadãos livramenteses e às famílias dos viciados e, com isso, economizando com polícia. Do contrário, podemos esperar mais crimes como esses mostrados nesta matéria.

Da redação                              Fotos: portalemdia

 

 


Revista Opinião