Lava-jato: delator afirma ter repassado propina para Heráclito Fortes

Matéria publicada em, 16 de junho de 2016

O ex-presidente da Transpetro Sérgio Machado afirmou em sua delação premiada ter repassado propina a pelo menos 18 políticos diferentes, entre eles o deputado federal Heráclito Fortes (PSB-PI). A lista inclui ainda políticos do PMDB, PT, PP, DEM, PSDB e PSB.

Heráclito Fortes (PSB-PI)
Heráclito Fortes (PSB-PI)

A reportagem da Folha de São Paulo informou que da lista, o PMDB foi o que mais arrecadou. O partido é fiador político da indicação de Machado à presidência da Transpetro e ficou com pelo menos R$ 100 milhões.

Machado, conforme cita a matéria, disse que os políticos o procuravam pedindo doações, passo em que ele solicitava os repasses às empreiteiras com contratos com a Transpetro.

“Embora a palavra propina não fosse dita, esses políticos sabiam ao procurarem o depoente que não obteriam dele doação com recursos do próprio, enquanto pessoafísica, nem da Transpetro, e sim de empresas que tinham relacionamento contratual com a Transpetro”, afirmou Machado.

Além de Heráclito, a lista inclui ainda nomes como o ex-senador Sérgio Guerra, já falecido, o senador José Agripino Maia (DEM-RN), o deputado Felipe Maia (DEM-RN), estes grandes adversários do Partido dos Trabalhadores.

O próprio deputado piauiense ficou conhecido como ‘xerife’ de Temer, tendo recepcionado em sua residência encontros como o “jantar de confiança na vitória” do ainda vice-presidente da República, com a presença de ao menos 85 deputados. Eles estariam comemorando a suficiência de votos para aprovar o impeachment da presidente Dilma Rousseff (PT) na Câmara Federal.

Folha aponta ainda os nomes de Renan Calheiros (AL), Romero Jucá (RR) e José Sarney (AP), do PMDB, também os parlamentares e ex-parlamentares Cândido Vaccarezza (PT-SP), Jandira Feghali (PCdoB-RJ), Luiz Sérgio (PT-RJ), Edson Santos (PT-RJ), Francisco Dornelles (PP-RJ), Henrique Eduardo Alves (PMDB-RN), Ideli Salvatti (PT-SC), Jorge Bittar (PT-RJ), Garibaldi Alves (PMDB-RN), Valter Alves (PMDB-RN) e Valdir Raupp (PMDB-RO).

Sérgio Machado contou que nos casos de Jucá e Sarney, os pagamentos foram feitos tanto por meio de doações oficiais como de dinheiro em espécie, especificando quais destas doações podem ser consideradas como propina. Em relação às empresas que aceitavam fazer pagamentos referentes a contratos com a Traspetro, Machado citou a Camargo Corrêa, Galvão Engenharia, Queiroz Galvão, NM Engenharia, Estre Ambiental, Polidutos, Essencis Soluções Ambientais, Lumina Resíduos Industriais e Estaleiro Rio Tietê.

“Quando chamava uma empresa para institui-la a fazer doação oficial a político, ele sabia que isso não era lícito”, traz Folha ao reproduzir trecho de um dos depoimentos de Sérgio Machado.

Procurado, o deputado Heráclito Fortes informou por meio de sua assessoria que não irá ainda se pronunciar sobre o assunto ainda, em virtude de estar fora do país, em viagem ao Panamá numa missão pela Câmara dos Deputados. Ele retorna hoje à Brasília e deve comentar o caso amanhã.

Fonte: g1


Revista Opinião