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Ex-premiê israelense Ariel Sharon morre em Israel aos 85 anos

Matéria publicada em, 11 de janeiro de 2014

Morreu neste sábado (11) aos 85 anos o ex-premiê de Israel Ariel Sharon. Ele estava em coma havia 8 anos, depois de sofrer um derrame, e recentemente seu estado de saúde havia piorado. De soldado a político e estadista, o 11º premiê de Israel teve uma carreira que foi tão gloriosa quanto controversa. Reconhecido como maior comandante militar israelense por suas estratégias em guerras nos anos 60 e 70, ele foi eleito premiê em 2001 para liderar o país que defendia fervorosamente. Quatro anos depois, Sharon foi responsável pela retirada unilateral dos colonos israelenses da Faixa de Gaza, pouco antes de ficar permanentemente incapacitado por um derrame. As imagens a seguir fazem uma retrospectiva da vida de um dos mais importantes políticos do Oriente Médio.

Ariel Sharon morre aos 85 anos; há oito, ele estava em coma em Israel

Ariel Sharon morre aos 85 anos; há oito, ele estava em coma em Israel

Juventude politizada

Sharon nasceu no dia 26 de fevereiro de 1928, em Kfar Malal, no então território palestino britânico, em uma família de judeus bielorrussos. Durante a infância e a adolescência, ele foi membro da juventude sionista e de grupos paramilitares, antes de entrar para a força paramilitar clandestina Haganah – milícia precursor da Força de Defesa Israelense -, aos 14 anos de idade.

Ação militar

A unidade de Sharon na Haganah se envolveu em sérias ações militares a partir de 1947, e ele se destacou durante a Guerra da Independência, em 1948, liderando uma companhia de infantaria e sendo ferido na Batalha de Latrun, quando levou vários tiros. Em 1953, depois de estudar na Universidade de Jerusalém, Sharon recebeu um pedido direto do primeiro-ministro para formar e liderar uma nova divisão de elite da Força de Defesa Israelense, chamada Unidade 101, cuja missão era realizar operações ofensivas de guerrilha em resposta aos ataques dos palestinos. Apesar de seu sucesso militar, a nova divisão foi condenada pelo massacre de Qibya, em outubro de 1953, quando 69 civis palestinos, entre eles crianças, foram mortos pelas tropas de Sharon.

Guerra árabe-israelense

Sharon comandou a Unidade 202 (Brigada Paraquedista) durante a Guerra Árabe-Israelense de 1956 sobre o Canal de Suez e recebeu a missão de tomar a área a leste da passagem Mitla no Monte Sinai. Ambos os lados sofream muitas perdas, mas foi a habilidade de Sharon como estrategista militar que finalmente levou à derrota dos egípcios. Mas nem tudo foi glória. Ele acabou sendo culpado pela morte de 38 soldados israelenses graças à agressividade desnecessária de Sharon no combate.

Guerra dos Seis Dias

Embora a controvérsia sobre Mitla tenha durado por vários anos, Sharon continuou a crescer no exército israelense. Em 1967, na Guerra dos Seis Dias, ele já era Major General, comandando a mais poderosa divisão blindada no front do Sinai, que conseguiu penetrar na área fortificada de Kusseima-Abu-Ageila e rendeu a ele aplausos dos estrategistas militares internacionais. Mais tarde, Sharon comandou a área do Canal de Suez durante a Guerra do Atrito em 1969 e liderou a operação para massacrar a Organização pela Liberação da Palestina (OLP) na Faixa de Gaza em 1971.

Formação do Likud

Sharon se aposentou do serviço militar em 1973 e fez sua estreia na política ajudando a formar o partido direitista Likud, nascido da fusão do Herut, do Partido Liberal e outros independentes. Sharon se tornou líder da campanha do partido para as eleições de 1973. Quando a Guerra do Yon Kippur eclodiu algumas semanas depois, com Egito e Síria atacando Israel em duas frentes em pleno feriado judeu, ele voltou ao exército e teve papel fundamental na guerra, sendo considerado responsável pela vitória de Israel.

Manobras políticas

Durante os anos 70, Sharon fez várias tentativas de voltar à política. Incapaz de conseguir a liderança do Likud, ele formou seu próprio partido, o Shlomtzion, que ganhou cadeiras no Knesset em 1977. Mais tarde, ele fundiu o partido com o Likud para se tornar ministro da agricultura. Sharon era favorável aos assentamentos e começou um programa que levou à criação de mais de 200 assentamentos judeus em áreas disputadas. Após as eleições de 1981, ele foi promovido a ministro da defesa.

Guerra do Líbano em 1982

Em 1982, Sharon lançou uma controversa invasão ao Líbano com o objetivo de expulsar o líder da OLP, Yasser Arafat, e suas forças de Beirute. O conflito levou a uma longa permanência militar israelense no país vizinho. Ele foi deposto de seu cargo de ministro da defesa em 1983, mas continuou no govermo como ministro sem pasta.

Recuperação política

Ariel Sharon voltou ao governo como ministro da indústria e comércio entre 1984 e 1990, tornando-se fundamental para a assinatura de acordo de comércio com os EUA em 1985. Ele também liderou um enorme programa de construção de casas para atender à crescente população de imigrantes vindos da URSS entre 1990 e 1992. O premiê Yitzhak Shamir impediu suas várias tentativas de comandar o Likud, mas Sharon participou da administração de Benjamin Netanyahu e, finalmente, se tornou líder do Likud após a eleição de Ehud Barak para o governo.

Intifada da Al-Aqsa e vitória na eleição

No dia 28 de setembro de 2000, Sharon, escoltado por mais de mil policiais, fez uma polêmica visita ao Templo do Monte, local do Domo da Rocha e da Mesquita de al-Aqsa, locais sagrados para judeus e muçulmanos. Durante a visita, Sharon declarou que o complexo permaneceria para sempre sob controle israelense, o que irritou os muçulmanos exatamente conforme o planejado por Sharon, que tentava obstruir as delicadas negociações de paz conduzidas pelo governo. No dia seguinte, manifestantes palestinos entraram em confronto com policiais israelenses no local, causando 4 mortes e o início da Segunda Intifada, também conhecida como a Intifada al-Aqsa, que durou até 2005.

Caminho para a paz

Os primeiros anos do governo de Sharon foram marcados pela agressividade de suas políticas de segurança e pelas construções de barreiras vistas como vitais para manter Israel seguro contra os vizinhos árabes. Com o passar do tempo, suas posições mudaram, e Sharon aparentemente concluiu que manter os territórios ocupados por um longo tempo seria impossível. Em maio de 2003, Sharon assinou o ‘Caminho para a Paz’ elaborado por EUA, UE e Rússia, abrindo um diálogo com o recém-eleito primeiro-ministro da Autoridade Nacional Palestina, Mahmud Abbas.

Retirada final de Gaza

Enquanto tropas israelenses entram na Faixa de Gaza para remover colonos judeus, confrontos entre os dois lados se intensificam. Na foto, colono atira pneu em barricada em chamas no assentamento de Shirat Hayam, em 18 de agosto de 2005.

Escândalos e irregularidades

A carreira de Sharon foi pontuada por vários escândalos, incluindo investigações sobre seu alegado envolvimento com o que ficou conhecido como o Caso da Ilha Grega e sobre o financiamento ilegal de sua campanha eleitoral de 1999. No Caso da Ilha Grega, Sharon foi acusado de prometer ajuda ao empresário israelense David Appel em seu empreendimento em uma ilha grega. Em troca, seu filho Gilad receberia altos pagamentos por sua ‘consultoria’. Essas acusações foram retiradas por falta de provas. Sobre a campanha de 1999, o acusado foi seu filho Omri, sentenciado a nove meses de prisão.

Incapacitado por derrames sucessivos

No dia 18 de dezembro de 2005, Sharon sofreu uma espécie de derrame enquanto viajava para Havat Shikmim. Ele foi hospitalizado, tratado e liberado dois dias depois. No dia 4 de janeiro de 2006, na véspera de uma cirurgia cardíaca em que os médicos pretendiam curar a causa do primeiro derrame, Sharon sofreu uma hemorragia cerebral. Ele foi novamente levado às pressas ao hospital e passou por uma complexa cirurgia de sete horas para drenar todo o sangue de seu cérebro e estancar o sangramento. Os médicos o mantiveram em coma induzido até 13 de janeiro, quando os sedativos foram retirados. Mas Sharon não respondeu.

Substituído por Ehud Olmer

Na noite do derrame, Sharon foi declarado temporariamente incapacitado de exercer seus poderes. Como resultado, o número 2 de Sharon, Ehud Olmert, foi oficialmente confirmado como o premiê em exercício e anunciou eleições legislativas para o dia 28 de março. Olmert saiu vencedor das eleições e assumiu o governo oficialmente em 14 de abril de 2006.

Tratamento a longo prazo

Em 2010, um administrador de hospital envolvido no caso de Sharon disse que ele não tinha chances de recuperação, acrescentando que seu cérebro estava do tamanho de uma laranja. Segundo ele, a parte do cérebro que mantinha o corpo funcionando estava intacta, mas o restante era ‘nada, só fluído’.

udeus e árabes juntos

‘Eu começo com a convicção básica de que judeus e árabes podem viver juntos. Eu tenho repetido a cada oportunidade, não para jornalistas ou para consumo popular, mas porque eu nunca acreditei ou pensei de forma diferente, desde a minha infância. Eu sei que ambos somos habitantes da terra, e embora o estado seja judeu, isso não significa que árabes não devam ser cidadãos em todos os sentidos da palavra’ – Ariel Sharon, 1989.

Fonte: MSN


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