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Em carta ao partido, Jesus Rodrigues desiste de disputar reeleição de deputado federal

Matéria publicada em, 8 de março de 2014

O deputado federal Jesus Rodrigues (PT-PI), após especulações de que não disputaria a reeleição em 2014, confirmou neste sábado (8 de março de 2014) que está fora do pleito.  O parlamentar explicou os motivos em carta aberta destina à Presidência Estadual do Partido dos Trabalhadores. De acordo o deputado, a desistência é justificada por motivos de ordem financeira, já que em sua análise, as campanhas na atualidade estão mais caras.

Outro motivo seria um chamado “desequilíbrio” nas candidaturas proporcionais. No mês de janeiro deste ano, Jesus Rodrigues revelou que entraria com representação no PT para garantir “condições iguais” de disputa entre Rejane Dias e outros candidatos ao Congresso Federal.

Dep. Federal Jesus Rodrigues (PT)

Dep. Federal Jesus Rodrigues (PT)

Em José de Freitas, Jesus  Rodrigues foi apoiado pelo grupo político da ex-candidata a vice-prefeita Fátima Pinto (PT).

Veja a carta divulgada por Jesus Rodrigues:

“Ilustríssima Sra Regina Sousa

Presidente Estadual do Partido dos Trabalhadores

Venho informar a esta Presidência e aos demais membros do Partido que tomei uma decisão, de fórum íntimo é verdade, de não disputar a reeleição neste ano de 2014. Em respeito aos demais filiados, aos simpatizantes e a todos os piauienses, especialmente aqueles que me apoiaram e confiaram a mim um mandato na Câmara Federal, por acreditarem no meu caráter e nas minhas propostas, venho explicar alguns dos motivos que me levaram a tomar essa decisão.

Um deles é a questão financeira, uma vez que as campanhas, no atual sistema político, requerem cada vez mais o emprego de somas vultosas. Seria necessário dispor de uma parte importante do patrimônio da minha família, do qual já usei em 2010 para realizar o sonho de ser Deputado Federal. Nesse contexto, aproveito a oportunidade para defender uma reforma política que, entre outras coisas, modifique substancialmente o financiamento das campanhas de modo a permitir um equilíbrio entre todas as candidaturas. Dessa forma estaríamos diminuindo ou retirando uma ameaça à democracia que é  influência do poder econômico nas eleições e a tentativa de ingerência dos financiadores sobre gestões e mandatos em geral.

O outro motivo refere-se à resposta de que minha posição era minoritária ou isolada em relação ao artigo que encaminhei à presidência do PT e ao líder maior da coligação alertando para o risco de desequilíbrio nas candidaturas proporcionais. Nessa condição, decidi deixar o Partido completamente à vontade para adotar a postura e a estratégia que for mais conveniente. Da mesma forma que em 2006 retirei minha candidatura por uma tática política, mais uma vez faço isso e saio da disputa pela reeleição em 2014. Com minha voz isolada, fazia valer o pensamento de Nelson Rodrigues de que toda unanimidade é burra; agora a unanimidade está feita, espero que a mesma seja inteligente como a de um time de futebol bem treinado ou a unanimidade de uma orquestra bem regida.

Como é do meu perfil, sempre procuro encarar as situações pelo lado positivo e um deles é que vou retomar a frente da minha empresa da qual estou afastado há quase 12 anos em decorrência da minha opção ideológica. Com isso reforço minha convicção de querer viver para a política e não da política. Acredito no seu poder transformador, mas sei também que não é apenas com cargos ou mandatos que ajudamos a construir uma sociedade melhor. Vou buscar colocar em prática minhas ideias de agricultura familiar, destravar um projeto com catadores de material reciclado e também concluir um livro no qual pretendo expor as ideias que venho juntando e lapidando nesse pouco mais de meio século de vida.

Por fim, reitero que até o final do meu mandato, em janeiro de 2015, continuaremos trabalhando com o mesmo afinco pelo povo do Brasil, do Nordeste e, em especial, pelo povo do Piauí, que me confiou este mandato de Deputado Federal.

Jesus Rodrigues Alves

Deputado Federal (PT-PI)”

Da Redação

 


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