Carta de Bruno para Macarrão era de amizade e não de amor, diz advogado

Matéria publicada em, 10 de julho de 2012

Foto: Luiz Costa/Hoje em Dia/Futura Press

O advogado Rui Pimenta, que defende o goleiro Bruno Fernandes, disse ao G1 nesta segunda-feira (9) que a carta escrita por seu cliente a Luiz Henrique Ferreira Romão, o Macarrão, e divulgada pela revista “Veja” neste fim de semana, representa o término de uma relação de amizade. “A carta poderia ser o término de um relacionamento sexual, eu pensava isso. Mas ficou claro que a carta era dentro do âmbito da amizade depois de conversar com o Bruno”, afirmou Pimenta, que, em entrevista ao jornal “O Estado de S.Paulo”, havia dito que a carta tratou sobre um relacionamento homossexual entre Bruno e Macarrão e que ambos tiveram um “claro caso de amor”.

Pimenta diz que mudou de ideia depois de se reunir com o atleta nesta segunda na Penitenciária Nelson Hungria, em Contagem, na Região Metropolitana de Belo Horizonte, onde o jogador está preso há dois anos. Bruno é acusado do homicídio de Eliza Samúdio, sua ex-namorada, e Macarrão também responde pelo crime. De acordo com a polícia, a modelo foi morta em junho de 2010. Ela foi vista pela última vez no sítio do goleiro Bruno, na Região Metropolitana de Belo Horizonte. O corpo nunca foi localizado.

Na carta divulgada pela revista “Veja”, Bruno pede a Macarrão para usar o “plano B”, que, segundo a reportagem, seria assumir a culpa sozinho pela morte. O plano A seria, segundo a revista, negar o crime. Na carta, Bruno diz que conversou com advogados e que, diante das descobertas do processo, “a melhor forma de resolver isso é usando o plano B”.

Advogado Rui Pimenta na saída da Penitenciária
Nelson Hungria. (Foto: Humberto Trajano/G1 MG)

O advogado diz que Bruno confirmou ter escrito a carta. Segundo Rui Pimenta, Bruno teria uma certa mágoa em relação a Macarrão. Ele diz que o goleiro jamais teria autorizado que o amigo, que à época era também empregado do atleta, arquitetasse a morte de Eliza Samudio. Ainda segundo o advogado, Bruno acredita que ainda está preso porque Macarrão não assumiu o crime.

Homossexualidade
Apesar de agora avaliar que a a carta fala sobre amizade, Pimenta afirma que, após a reportagem publicada pela “Veja”, fica evidente que a convivência entre Bruno e Macarrão extrapola a área do sentimento. “A ‘Veja’ me fez acreditar na homossexualidade através dessa notícia”, afirmou Pimenta. Além de trazer uma mensagem em que Bruno pede a Macarrão que assumisse a culpa pela morte de Eliza Samudio, o texto faz referência a um vídeo gravado pela ex-modelo. As imagens, segundo a reportagem, mostram uma cena de sexo em que os três participariam.

De acordo com Pimenta, a relação entre o dois nunca foi, de fato, esclarecida. Entretanto, ele acredita que a aproximação entre Bruno e Macarrão, que foram criados juntos e que sempre  trocaram confidências, pode culminar em um envolvimento sexual. Apesar das declarações do advogado, o próprio Pimenta disse que Bruno nunca falou com ele sobre algum envolvimento sexual com Macarrão.

À pergunta “O senhor desmente a hipótese de que era uma carta para romper o relacionamento sexual?”, Rui Pimenta respondeu que “o relacionamento sexual não está somente dentro carta. Ele está na própria reportagem da ‘Veja’, quando diz lá que Eliza Samudio gravou um filme aonde tinham relação sexual os três. Então você daí vê que a homossexualidade já existia no filme que eles gravaram”.

Pimenta ainda levanta outra hipótese para a morte de Eliza, que teria sido causada por um “sentimento” que Macarrão poderia ter em relação a ela. “Quer dizer, se eles participavam de uma zorra sexualmente, evidente que o Macarrão também sentia algum sentimento por Eliza Samudio não é verdade? Que se ele ‘tava’ lá também contribuindo com o ato essa coisa toda, existia também um envolvimento sentimental dele com Eliza Samudio. De repente ele era também apaixonado por Eliza samudio e pode ter matado por vingança”, falou.

Procurado pelo G1, o advogado de Luiz Henrique Ferreira Romão, Leonardo Diniz, disse que não vai se pronunciar sobre a reportagem publicada pela revista. Sobre a possibilidade da existência de um relacionamento sexual entre Bruno e Macarrão, o advogado disse que “é um devaneio, é um absurdo infundado. É uma história funesta. Não tem respaldo nenhum. O Luiz Henrique tinha uma relação profissional com o Bruno”.

Carta
Os defensores Rui Pimenta e Francisco Simim visitaram o jogador nesta manhã na Penitenciária Nelson Hungria, quando o jogador confirmou a autoria e explicou o teor da mensagem.

“O que o Bruno quis ressaltar é que assumir o ‘plano B’ era uma obrigação do Macarrão, porque o Macarrão havia traído Bruno quando sumiu com a Eliza”, justificou Pimenta. Segundo o advogado, Eliza foi morta sem o consentimento do jogador. Pimenta alega que a carta foi redigida em novembro do ano passado e veio a público com o final apagado, dando margem a distorções. Ele afirmou ao G1que, no trecho final Bruno disse ter escrito: “Macarrão, você tem realmente que assumir este crime porque eu não posso pagar por sua traição. Eu não mandei você sumir com a Eliza”, relatou.

A Secretaria de Estado de Defesa Social (Seds) informou que a carta escrita pelo goleiro  não consta nos registros de correspondências enviadas e recebidas por detentos da Penitenciária Nelson Hungria, em Contagem, na Região Metropolitana de Belo Horizonte. De acordo com a Seds, o atleta disse, em depoimento na unidade prisional nesta segunda, que pediu para outro preso entregar a mensagem ao amigo. A Seds informou ainda que a penitenciária dará continuidade ao procedimento de apuração para checar como a carta saiu da unidade prisional. As informações levantadas serão remetidas à Justiça.

Caso Eliza Samudio
O goleiro Bruno Fernandes e mais sete réus vão a júri popular no processo sobre o desaparecimento e morte de Eliza Samudio, ex-namorada do jogador. Para a polícia, Eliza foi morta em junho de 2010 na Região Metropolitana de Belo Horizonte, e o corpo nunca foi encontrado. Em fevereiro de 2010, a jovem deu à luz um menino e alegava que o atleta era o pai da criança. Atualmente, o menino mora com a mãe de Eliza, em Mato Grosso do Sul.

O goleiro, o amigo Luiz Henrique Romão – conhecido como Macarrão –, e o primo Sérgio Rosa Sales vão a júri popular por sequestro e cárcere privado, homicídio triplamente qualificado e ocultação de cadáver. Sérgio responde ao processo em liberdade. O ex-policial Marcos Aparecido dos Santos, o Bola, também está preso e vai responder no júri popular por homicídio duplamente qualificado e ocultação de cadáver.

Dayanne, ex-mulher do goleiro; Wemerson Marques, amigo do jogador, e Elenílson Vítor Silva, caseiro do sítio em Esmeraldas, respondem pelo sequestro e cárcere privado do filho de Bruno. Já Fernanda Gomes de Castro, outra ex-namorada do jogador, responde por sequestro e cárcere privado de Eliza e do filho dela. Eles foram soltos em dezembro de 2010 e respondem ao processo em liberdade. Flávio Caetano Araújo, que chegou a ser indiciado, foi inocentado.

Segundo o Tribunal de Justiça de Minas Gerais (TJMG), não há previsão de data para o julgamento do caso Eliza Samudio.

Fonte: G1


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