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Opinião: Ao meu amigo Marquin do Frango, pessoa que merece ser ‘conhecida’

Matéria publicada em, 1 de maio de 2011

O reverendo Martin Luther King Jr. dizia que não se assustava com o grito dos violentos, mas se preocupava com o silêncio dos bons.

Marquin do Frango

O PV da cidade de José de Freitas nos últimos meses tem recebido novos filiados que são motivos de orgulho, pois trazem para a velha política não apenas a sua juventude, mas, principalmente, o que o povo mais precisa: vontade de mudar.

Entre estes jovens, destaco o “Marquin do Frango”, que por falta de oportunidade ou mesmo por ausência de afinidade, não seguiu a instrução a uma cátedra universitária. Porém, como um grande ser convicto de seus valores, sabe que um homem se faz pelo trabalho e com a contribuição social que pode prestar. Não faz como muitos, que devido ao desprezo pelo estudo, deixam-se levar pela vaidade, entregando-se ao vício, ao ócio descompromissado ou à marginalidade, simplesmente por vergonha do trabalho físico que, segundo a Constituição, tem o mesmo valor que o trabalho intelectual, sendo proibida qualquer distinção ou discriminação (art. 7º, XXXII).

Marquin é um jovem atuante perante o partido, curioso e observador, tem demonstrado ter sua própria concepção política, principalmente sobre o comércio e o turismo local. Ele é como muitos jovens que, Brasil afora, trabalham lavando e vigiando carros, vendendo CD, entregando pães nos comércios, sendo garçons na noite: “heróis brasileiros”…

Que todos os dias tem o grande desafio de viver honestamente com o pouco que ganham de modo digno.

Marquin é exemplo a ser seguido por muitos jovens, pois simboliza a ideia de que o suor do trabalho é sagrado e em nada é vergonhoso. Afinal, o que importa ao trabalho, seja ele físico, intelectual ou artístico, é que tenha alguma contribuição à sociedade.

Em recentes dias, um vereador o impediu de tirar fotos dentro da Câmara Municipal,”nem lhe conheço, como é que você vem tirar foto aqui?”

O interessante é que eu não sabia que para entrar e fotografar dentro da “Casa do Povo” precisava ter algum conhecido por lá.

A que ponto chegamos, um jovem, querendo mostrar para a população como trabalham os legisladores municipais e vendo que uma sessão ordinária não iria acontecer, “por problemas técnicos” é proibido e barrado por não ser “conhecido” do nobre edil?!

Imagine o que seria você chegar ao estabelecimento do Marquin e ouvir do mesmo que não tem frango assado devido a “problemas técnicos”. Absurdo, não? Como é que alguém trabalha em um ramo e não consegue cumprir com seu ofício por “problemas técnicos”? Para se ter um ofício, é necessário a técnica, ou não?

No dia em que Marquin não conseguir ofertar seu frango por “problemas técnicos”, com certeza muita gente vai ficar incomodada ou prejudicada. Porém, a suspensão dos trabalhos dos nobres vereadores que acontece apenas uma única vez por semana, e ainda por cima, à noite, não oferece nenhum incômodo à população.

Nobre edil, espero que leia este humilde texto, e saibas a partir de agora, a nobreza da pessoa que o senhor destratou. Pois ele é como muitos, que todos os dias acordam cedo, trabalham o dia inteiro, e ao final do dia, quando encostam o corpo cansado na cama, tem a certeza de que cumpriram o seu dever: ajudaram de alguma forma a sociedade com a pequena contribuição de seu labor.

Charles Chaplin certa feita disse: “fui e sempre serei um palhaço e isso me coloca numa categoria acima de qualquer político”.

Nobre vereador, essa categoria é a dos trabalhadores. Pois até mesmo um palhaço é trabalhador, e dos bons. Qual a sua contribuição social?

É o palhaço que nos oferece, de modo sadio, um pouco de fuga da realidade. Ele nos oferta o riso para, pelo menos, por alguns instantes esquecermos que somos esquecidos e desprezados, que trabalhamos duro todos os dias para com um mísero estipêndio pagar nossos pesados impostos e viver de modo limitado, porém honesto, sem saúde, sem educação e sem segurança entre tantos outros serviços públicos que nos são mal retribuídos.

O que faz um homem que não tem nada, aceitar a lei de um pequeno grupo que tem tudo?

O cidadão Marquin merece respeito, pois ele deve ser referência e exemplo a ser seguido, para muitos jovens, que na droga, no crime ou na desocupação não abraçam um ofício por achar vergonhoso o trabalho físico.

Pessoas como ele é que merecem prêmios e láureas, pois são heróis brasileiros que matando o seu leão cotidiário constroem esse país.

Contudo, Marquinho não pode receber o mérito do renascença, maior honraria do estado, porque não é rico, não é “intelectual de óculos e terno”, não fez um jingle de campanha (nem mesmo um molim), não é escudeiro fiel de político poderoso.

Ele é apenas um, como tantos, que todos os dias podem dizer algo proibido a muitos políticos: meu trabalho é útil e eu sou honesto.

Caro vereador, por favor, receba com mais respeito da próxima vez o nosso amigo Marquin. Pois neste texto, eu fiz questão de repetir seu nome e seus atributos, para que o senhor não diga mais que não o conhece. Assim, ouça o que ele tem a dizer, sorria para a sua foto e, se possível, prove do seu frango assado, que é muito gostoso.

(Por Márcio Melo, professor da Rede Pública Municipal de Teresina e acadêmico de Direito)


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