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Agências de notícias internacionais informam que ditador Líbio Khadafi está morto. Imagens são divulgadas

Matéria publicada em, 20 de outubro de 2011

Depois da notícia de que o ex-ditador da Líbia Muammar Khadafi foi capturado e morto em Sirte, sua cidade-natal, em uma ação conjunta da Otan e do governo interino líbio, agências internacionais de notícias divulgaram imagens do ditador bastante ferido, não se sabe se vivo ou morto, nas mãos dos rebeldes que tomaram o poder do país. Líbios do país inteiro comemoram muito a notícia.

Líbios comemoram na capital Trípoli morte do ex-ditador Muammar Kadhafi Reuters

A autenticidade das imagens, bem como a morte do ex-líder e suas circunstâncias, ainda são discutidas.

O médico que acompanhou o transporte do corpo de Kadhafi em Sirte afirmou que o ditador líbio foi morto com dois tiros no peito.

Até o fim desta manhã, a Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) e os EUA ainda não confirmaram a morte. A Otan afirmou que ainda “levaria tempo” para checar a veracidade das imagens e dos relatos. Entretanto, a aliança admitiu ter bombardeado um comboio pró-Kadhafi próximo à cidade onde os ex-rebeldes dizem ter matado o ditador.

A rebelião contra Kadhafi começou em fevereiro deste ano na cidade de Benghazi e colocou a Líbia em uma violenta guerra civil e em crise humanitária. Desde o fim de agosto Kadhafi estava desaparecido: ele foi derrubado do poder após a tomada da capital, Trípoli. Ele estava no comando do país há 42 anos.

Confira abaixo as fotos: (ATENÇÃO! IMAGENS FORTES)

Supostas imagens do ditador morto ou gravemente ferido

Supostas imagens do ditador morto ou gravemente ferido

Supostas imagens do ditador morto ou gravemente ferido

Corpo de Gaddafi está em mesquita de Misrata, diz Al Jazeera

O corpo do ex-líder líbio Muammar Gaddafi foi colocado em uma mesquita em Misrata, disse a emissora de televisão Al Jazeera nesta quinta-feira.

A televisão Al Arabiyya confirmou que o corpo de Gaddafi estava em Misrata, mas em um centro comercial no bairro de Souq Tawansa.

O vice-presidente do Conselho Nacional de Transição confirmou que o líder líbio foi morto na manhã de sexta-feira nos arredores de Sirte e que o governo interino anunciaria a liberação completa da Líbia ‘em algumas horas’.

Testemunhas ouvidas pela Reuters disseram ter visto o filho caçula de Gaddafi, Mo’Tassim, deitado em uma cama coberto de sangue, mas vivo, e que outro filho, Saif al-Islam, está em um comboio deixando Sirte.

A história da Líbia

A queda do coronel põe fim à divisão do país, que antes estava dividido entre o leste, nas mãos da oposição, e o oeste, nas do coronel Kadhafi.

A Líbia e seus conflitos

A Líbia é historicamente um cruzamento do Maghreb e do Machrek, marcada por tradições tribais. Passou à idade moderna no século XX, graças a suas imensas reservas de petróleo.

Por muito tempo oculta pela forte personalidade de seu líder e “guia”, o coronel Kadhafi, a Líbia vive uma insurreição sem precedentes.

Independente desde 1951, com a ascensão ao poder do rei Idriss al-Senoussi, o país é dirigido pelo ex-capitão, promovido a coronel pelo golpe de Estado de setembro de 1969.

Ironia da história, o golpe de Estado de Kadhafi e dos 60 oficiais rebelados começou em Benghazi, um dos principais epicentros da contestação atual.

As várias faces do ditador Líbio Kadhafi

Trípoli, antigo cruzamento de rotas comerciais, abrigo de piratas e mercadores de escravos antes da era moderna, é a capital deste vasto Estado de 1,76 milhões de km2 – 93% dele desértico.

Com uma população de 6,3 milhões de habitantes, entre eles 1,5 milhão de imigrantes, essencialmente africanos, concentrada nas margens do Mediterrâneo, a Líbia tira suas riquezas do subsolo, rico em hidrocarbonetos, principalmente no leste do país.

Até meados do século XX, vivia da agricultura, submetida aos caprichos do clima. País pobre, a Líbia sobrevivia com a ajuda internacional.

A descoberta da jazida de petróleo em Zaltan, em junho de 1959, por geólogos da gigante americana Esso (hoje Exxon), no oeste do país, mudou o tom. O coronel Kadhafi ordenou a nacionalização das jazidas. Mas o país ainda dependia da tecnologia das empresas internacionais para a exploração do ouro negro.

Membro da Organização de Países Exportadores de Petróleo (Opep), a Líbia é um dos principais produtores de petróleo na África, com 1,8 milhão de barris por dia. Suas reservas são avaliadas em 42 bilhões de barris. O petróleo representa mais de 95% das exportações e 75% das receitas do Estado.

O país, que empreendeu desde o levantamento do embargo, em 2003, uma série de reformas para liberalizar a economia, registrou um crescimento de 10,3% em 2010 e a previsão é de que venha a crescer cerca de 6,2% em 2011.

Concedeu, nos últimos anos, contratos a numerosas sociedades multinacionais.

Localização
Situada entre a Tunísia, a oeste, e o Egito, a leste, a Líbia corresponde, historicamente, a soma das regiões Tripolitana (oeste), Cirenaica (leste) e Fezzan (sul).

A Cirenaica, hoje nas mãos dos rebeldes e militares que deixaram o dirigente líbio, está historicamente voltada para o Egito e o Machrek – um termo que se refere a uma área geográfica em torno das partes leste e sul do Mar Mediterrâneo – região que demonstrava, às vezes, hostilidade em relação ao poder central.

No sul, Fezzan, uma zona mais desértica e mais tribal, mantém contatos com a Tripolitana, voltada para o Maghreb – uma região africana que abrange, em sentido estrito, Marrocos e Sahara Ocidental -, e com a Cirenaica.

Sistema de governo
Sob o impulso do coronel Kadhafi, o país aboliu as instituições parlamentares, enaltecendo o anti-imperialismo, o pan-arabismo e o Islã.

Após o golpe militar de 1969, ele começou a implantar seu próprio sistema político, a Terceira Teoria Universal, expresso no “Livro Verde”, livro que publicou nos anos 1970 e que o acompanha nos discursos.

O sistema é apresentado como uma alternativa nacional ao socialismo e ao capitalismo, combinada com aspectos do islamismo. Derivado em parte de práticas tribais, supõe a implementação pelo próprio povo líbio de uma forma única de “democracia direta”.

Vindo de uma família pertencente a uma pequena tribo, o coronel Kadhafi passou em 40 anos por várias situações de oposição: viu líderes tribais suplantados por tecnocratas, líderes religiosos em desavença com sua aproximação do Islã, estudantes de Benghazi manifestando-se em 1976, monarquistas nostálgicos da realeza, e até militares que desertaram.

Nos anos 80, seu regime apoiou grupos terroristas como o Setembro Negro, que assassinou atletas israelenses nas Olimpíadas de Munique e o grupo separatista basco ETA, acusado de centenas de mortes na Espanha.

Kadhafi também negou a extradição do terrorista líbio Abdel Basset al Megrahi, que em 1988 foi acusado de colocar uma bomba num voo da PanAm que explodiu na Escócia, matando 270 pessoas.

Nos anos 90, assumiu responsabilidade pelo ataque ao voo e pagou indenização aos familiares das vítimas, pondo fim a anos de sanções da ONU (Organização das Nações Unidas). Em 2003, foi tirado da relação de países com ligações com terroristas pelo então presidente dos EUA, George W. Bush.

Em 2008, os dois países assinaram um acordo bilateral que normalizou a relações e voltaram a ter embaixadores pela primeira vez desde 1973. No mesmo ano, a ONU aceitou que a Líbia participasse do Conselho de Segurança como membro não permanente e em 2010 o país foi eleito para o Conselho de Direitos Humanos da organização.

Primavera Árabe
Antes de ser derrubado por uma revolta iniciada no bojo da chamada Primavera Árabe, o coronel se apresentava como guia espiritual da nação, supervisionando a implementação do que dizia ser uma versão local de democracia direta.

Entretanto, desde o começo do ano, o país enfrenta uma batalha, quando manifestações pedindo a renúncia do ditador se tornaram confrontos violentos e passaram a ser reprimidos com força pelo regime. No dia 17 de março, a Organização das Nações Unidas (ONU) aprovou uma resolução que validava quaisquer medidas necessárias para impedir um massacre de civis. Dois dias depois, a coalizão internacional liderada por Estados Unidos, França e Grã-Bretanha começou a bombardear a Líbia.

Em junho deste ano, com a escalada dos conflitos, centenas de milhares de pessoas deixam o país; a maioria foge para a Tunísia e o Egito. Mesmo com os ataques ocidentais tendo enfraquecido as tropas pró-Kadhafi, os rebeldes não conseguiam virar o jogo no terreno militar. No mesmo mês, um ataque aéreo da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) matou o filho mais novo do ditador e três de seus netos.

Em agosto, os rebeldes começaram uma das principais batalhas contra as forças de Kadhafi e invadiram Trípoli, tomando inclusive o quartel-general do governo ditatorial.

A partir deste momento, o Conselho Nacional de Transição (CNT), uma coalizão formada por políticos da oposição, e que conta com o apoio das forças rebeldes, além do presidente francês, Nicolas Sarkozy, e do primeiro-ministro britânico, David Cameron, passa a liderar a guerrilha junto com tropas da Otan. A união dessas forças tinha o objetivo de “limpar” o país das tropas pró-Kadhafi e localizar o ditador, que havia fugido sem deixar vestígios.

Fonte: g1

 

 



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