60% dos motoristas envolvidos em acidente usavam telefone celular

Matéria publicada em, 14 de julho de 2018

POR CORONEL PINHEIRO

O álcool tem sido considerado uma das mais perigosas causas de falta de aptidão dos motoristas, mas as distrações causadas pela tecnologia, incluindo celulares e GPS, provam que agora também representam um grande risco.  Cerca de 74% dos motoristas admitem distrair-se enquanto dirigem.

Um novo estudo do Centro de Tecnologia Allianz (AZT) mostra que o risco de um acidente cresce drasticamente quando os motoristas dividem a atenção entre o trânsito e a tecnologia. Os destaques do estudo fazem uma correlação entre altos índices de acidentes e o uso de dispositivos de informação, comunicação e entretenimento disponíveis nos veículos.

Por exemplo, 60% dos motoristas que tiveram um acidente nos últimos três anos afirmaram que estavam usando o telefone celular enquanto dirigiam. Apenas 37% dos motoristas que afirmaram fazer o mesmo não se envolveram em acidentes.

“Isso não é nenhuma surpresa”, diz Jochen Haug, diretor de Sinistros da Allianz Alemanha. “Quanto mais itens de tecnologia no veículo e mais complexa a operação, mais distraído estará o motorista em relação ao trânsito”, conta.

Tão nocivo quanto o álcool

De acordo com os especialistas, um décimo dos acidentes de trânsito com fatalidade é causado por motoristas distraídos. Em 2016, mais de 3.200 pessoas morreram nas estradas da Alemanha – 256 deles porque uma das vítimas envolvidas estava bêbada. Significativamente mais pessoas, por volta de 350, morreram devido distrações ao volante.

Até os anos 70, era aceitável um motorista beber muitas taças de vinho e ainda sim dirigir, afirma Haug. Mais de 20 mil pessoas morreram nas rodovias em 1970 e o governo respondeu introduzindo limites de velocidade nas estradas do País e estabelecendo o nível máximo de álcool no sangue em 0,8 em 1971. “O comportamento em relação à bebida alcoólica mudou. Não é mais socialmente aceitável beber e dirigir. Nós precisamos adotar a mesma atitude em relação ao uso do celular no volante”, diz Haug. “Nosso estudo é claro, o motorista que usa o celular enquanto dirige coloca outras vidas em risco”.

De acordo com a pesquisa, a todo momento o motorista comete alguma infração em relação ao celular enquanto dirige. Três quartos dos entrevistados admitiram distrair-se regulamente com as tecnologias disponíveis no veículo, enquanto 39% afirmaram que opera manualmente o sistema de navegação ao mesmo tempo em que dirige.

Um em quatro motoristas afirmaram que leem mensagens de texto enquanto dirigem e 15% afirmaram que as respondem. Isso é mais comum em motoristas acima de 24 anos: mais de 27% lê mensagens e 23% as respondem enquanto conduzem o veículo.

Os resultados convergem com pesquisas internacionais. Um estudo de 2015, que entrevistou 1.211 motoristas nos Estados Unidos, apontou que quase 60% dos entrevistados leem mensagens no celular com o veículo em movimento. Um mês depois foi encontrada uma forte correlação entre os resultados e os índices de colisões.

Além disso, as colisões com veículo motorizado são responsáveis por aproximadamente um quarto de todas as mortes de adolescentes e jovens adultos (entre 15 e 24 anos) nos Estados Unidos. Mais de um terço (36%) de todos os motoristas distraídos envolvidos em acidentes fatais tinham entre 15 e 29 anos, de acordo com as estatísticas da U.S. National Highway Traffic Safety Administration de 2015.

Ação necessária

O AZT defende há muito tempo que a distração seja incluída como uma causa oficial nas estatísticas de acidentes e regulamentações de trânsito. O governo da Alemanha recentemente estendeu a definição de celulares para incluir tablets e dispositivos similares.

A Allianz também defende medidas adicionais, como desabilitar a navegação ou acesso à internet nas telas disponíveis no carro enquanto o veículo está em movimento. Determinados sistemas avançados de assistência, como assistentes de frenagem de emergência, podem ajudar evitando ou reduzindo o impacto dos acidentes causados por distrações.


Fonte: AsCom

Revista Opinião